Sidney Oliveira / Arquivo Ag.Pará

Os preços do café e do cacau recuaram significativamente face aos máximos registados nos últimos anos. No entanto, a descida ainda não chegou de forma evidente às prateleiras dos supermercados portugueses.
A diferença entre os mercados internacionais e o preço final pago pelos consumidores tem vindo a acentuar-se. Depois das fortes subidas registadas em 2024 e 2025, provocadas sobretudo por más colheitas e problemas meteorológicos, ambas as matérias-primas começaram a corrigir.
No caso do cacau, a queda é particularmente expressiva quando comparada com os valores registados no ano passado. Os preços estão cerca de 34% abaixo dos níveis de há 12 meses e aproximadamente 50% abaixo do início de 2025. Ainda assim, continuam sujeitos a forte volatilidade.
O café apresenta um cenário semelhante. Os preços do grão estão cerca de 23% abaixo do pico registado em novembro, depois de uma melhoria das perspetivas para as colheitas. A queda prolongou-se até junho, levando os preços para mínimos desde o final de 2024, antes de uma nova recuperação nos mercados.
Segundo o Diário de Notícias, a explicação está, em parte, na forma como funciona a cadeia de abastecimento. As empresas compram café e cacau através de contratos que podem ser negociados e definidos com vários meses de antecedência. Desta forma, uma descida nos mercados internacionais não significa que a matéria-prima utilizada atualmente pelos fabricantes tenha sido comprada já a preços mais baixos.
Existe, por isso, um desfasamento entre o preço das matérias-primas e o preço dos produtos vendidos ao consumidor. Esse intervalo pode prolongar-se durante vários meses.
Para Marco Silva, consultor de investimentos, os produtores não serão os principais beneficiados deste cenário, uma vez que os preços na origem estão ligados à evolução dos mercados. Na sua avaliação, a margem estará sobretudo nos restantes intervenientes da cadeia, nomeadamente na distribuição.
O especialista considera que uma redução dos preços nas lojas poderia acontecer num período relativamente curto. “Era perfeitamente exequível em três meses”, afirma, apontando seis meses como um prazo mínimo razoável.
No caso do chocolate, a evolução dos preços internacionais também não se tem traduzido numa descida evidente para quem compra.
Algumas marcas têm procurado controlar os custos através da alteração da composição dos produtos. Entre as estratégias utilizadas está o aumento da quantidade de outros ingredientes, como frutos secos, reduzindo a proporção de cacau.
Assim, apesar da correção registada nos mercados internacionais, o café e o cacau continuam a pesar na carteira dos consumidores. E, para já, não há sinais claros de que a descida das matérias-primas esteja prestes a ser totalmente refletida nos preços das lojas.