O militar chegou à Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, DC, onde foi recebido pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e pelo conselheiro de segurança nacional Seb Gorka

O norte-americano Robert Gilman, libertado na terça-feira da detenção na Rússia por razões humanitárias, numa altura em que surgiam graves preocupações com o seu estado de saúde, já regressou aos Estados Unidos.

Gilman, um veterano de 32 anos dos fuzileiros dos EUA, estava detido na Rússia desde 2022. Donald Trump disse na terça-feira que tinha falado com Gilman, cujos apoiantes e familiares temiam que estivesse “perto da morte”, depois de alegadamente ter sido submetido a tortura física e psicológica.

“Após as minhas conversações com o Presidente Vladimir Putin, a Rússia concordou em libertá-lo, por razões estritamente humanitárias”, escreveu Trump numa publicação na Truth Social na terça-feira.

Segundo um responsável norte-americano, Putin aprovou um perdão para Gilman.

“Agradecemos esta decisão e o facto de a Rússia não ter pedido ninguém em troca — não houve qualquer troca”, acrescentou Trump na sua publicação. Não é claro quando o presidente dos EUA e Putin falaram sobre o caso.

Kirill Dmitriev, enviado especial do Kremlin e responsável pelo fundo soberano russo, também afirmou na terça-feira que Gilman tinha sido libertado da detenção “por razões humanitárias”.

Robert Gilman e a sua mãe fotografados com o Enviado Especial Steve Witkoff (ao centro, à direita) depois de o veterano da Marinha dos EUA ter regressado aos EUA, na sequência da sua libertação da detenção na Rússia. X/@SEPeaceMissions

Gilman chegou no mesmo dia à Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, DC, onde foi recebido pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e pelo conselheiro de segurança nacional Seb Gorka.

“Esta noite, tive o profundo privilégio de dar as boas-vindas a Robert Gilman de regresso aos Estados Unidos, após mais de quatro anos de detenção na Rússia”, afirmou Witkoff numa publicação no X.

“Robert é um patriota — um antigo fuzileiro naval dos Estados Unidos que serviu o nosso país com honra. Pode agora finalmente regressar à sua família e receber os cuidados médicos de que necessita», afirmou Witkoff, juntamente com fotografias suas com Gilman e a mãe deste, usando bonés com slogans de Trump.

“O nosso fuzileiro está de volta em segurança a solo norte-americano”, escreveu Gorka no X, acrescentando que Gilman recebeu “cheeseburgers e milkshakes”.

Trump tinha dito anteriormente na sua publicação na Truth Social que, quando falou com Gilman, “ele fez um pedido — UM GRANDE cheeseburger quando aterrar”.

Um responsável norte-americano disse anteriormente à CNN que Gilman estava a receber cuidados médicos e tinha sido transportado de volta aos Estados Unidos num avião médico especializado. A mãe, que tinha viajado para a Rússia numa tentativa de ver o filho, estava com ele no voo.

Uma fonte familiarizada com o caso descreveu Gilman como capaz de falar, mas sem conseguir andar.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, congratulou-se com a libertação de Gilman, mas salientou que a administração “continua a procurar o regresso imediato de todos os outros norte-americanos detidos injustamente, incluindo o detido injustamente Stephen Hubbard”. Há vários outros norte-americanos que continuam detidos na Rússia.

Eric Lebson, diretor de estratégia da Global Reach, disse à CNN na semana passada que Gilman tinha entrado num “estado dissociativo” há mais de seis semanas e que existiam receios de que pudesse morrer sob custódia russa. Um porta-voz do Departamento de Estado reiterou na semana passada que estavam “profundamente preocupados” com o seu “estado de saúde e a sua detenção continuada na Rússia”.

O enviado especial Steve Witkoff dá as boas-vindas a Robert Gilman à chegada aos EUA, depois de o veterano da Marinha dos EUA ter sido libertado da detenção na Rússia. X/@SEPeaceMissions

Lebson afirmou na terça-feira que “é demasiado cedo para saber qual será o prognóstico médico de longo prazo de Robert”.

Depois de regressar à zona de Washington, DC, é provável que Gilman seja encaminhado para um hospital militar norte-americano no Texas, afirmou a Global Reach, “onde será avaliado e tratado médica e psicologicamente”. Muitos norte-americanos classificados como “detidos injustamente” receberam tratamento numa instalação militar naquele estado após serem libertados. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou na terça-feira que Gilman tinha sido oficialmente classificado como detido injustamente.

A irmã de Gilman, Lexie Hudson, agradeceu ao Presidente norte-americano Donald Trump por “salvar a vida do meu irmão”.

“Não há outra razão para Robert estar vivo hoje que não seja o facto de o Presidente Trump ter tomado conhecimento do caso e agido”, afirmou num comunicado que também agradecia ao senador democrata Ed Markey.

“Estou ansiosa por ver Robert. Não consegui falar com ele uma única vez desde que tudo isto começou”, disse Hudson. “Vamos garantir que recebe o tratamento e o apoio de que necessita.”

Gilman foi detido em janeiro de 2022. As autoridades russas alegaram que estava embriagado e se envolveu numa altercação com um agente da polícia. Lebson rejeitou essa versão, afirmando que Gilman foi agredido pela polícia, passou mal e pontapeou acidentalmente o agente.

Gilman foi condenado a quatro anos e meio de prisão. É um dos vários antigos fuzileiros norte-americanos detidos na Rússia, incluindo Trevor Reed e Paul Whelan.

Continuam detidos na Rússia vários norte-americanos, entre eles Andre Khachatoorian, Olga Jezler, Chuck Zimmerman, David Barnes, Aleksander Antonov e Stephen Hubbard.

O porta-voz do Departamento de Estado afirmou na terça-feira esperar que a libertação de Gilman “conduza à libertação de norte-americanos detidos injustamente na Rússia, como o detido injustamente Stephen Hubbard”.

Esta notícia foi atualizada com informações adicionais.

Frederik Pleitgen e Aileen Graef, da CNN, contribuíram para este artigo.