A iFixit desmontou o novo smartphone dobrável topo de gama da Samsung e testou a resistência da dobradiça a poeira e areia. O resultado motivou uma pontuação provisória de reparabilidade de apenas 4 em 10.
A Samsung lançou recentemente o Galaxy Z Fold8, o dobrável mais fino e leve da marca até à data, que já ultrapassou as cinco milhões de pré-reservas nos mercados onde está disponível. Pouco depois da chegada às lojas, a iFixit desmontou o aparelho para avaliar até que ponto os avanços de design vieram acompanhados de melhorias na reparabilidade. O veredicto foi uma pontuação provisória de apenas 4 em 10, um resultado que reflete tanto avanços genuínos como problemas antigos que a Samsung ainda não resolveu.
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O primeiro teste da equipa teve como alvo a resistência da dobradiça à poeira. O aparelho tem uma classificação de proteção IP48, o que garante boa resistência à água, mas apenas uma defesa moderada contra sólidos. O “4” da certificação apenas cobre objetos com 1 milímetro ou mais de diâmetro, ficando aquém de uma proteção real contra poeiras finas. A própria Samsung recomenda aos utilizadores que mantenham a dobradiça afastada de areia e pó.
Samsung Galaxy Z Fold8 totalmente desmontado pela equipa da iFixit
Para testar este limite, a equipa usou um pó fluorescente sob luz ultravioleta, com partículas de cerca de 0,04 milímetros, bem abaixo do limiar de 1 milímetro coberto pela certificação. Depois de dobrar e desdobrar repetidamente o telemóvel contaminado, a dobradiça passou a produzir ruídos de fricção e a resistir à abertura normal, repetindo um problema que a organização tem documentado ao longo das várias gerações dos dobráveis da marca.


Apesar do resultado do teste de poeira, a equipa da iFixit teceu elogios relativamente ao processo de desmontagem. A tampa traseira remove-se sem grandes dificuldades e a zona selada do aparelho impediu que a maior parte do pó chegasse às baterias e à motherboard. A porta USB-C está alojada num cabo independente, o que facilita a sua substituição isolada, e os parafusos utilizados em todo o aparelho são do tipo Phillips comum, e não de soluções proprietárias.
A bateria é outro dos pontos fortes identificados, com o novo Fold8 a usar duas células muito finas, com uma capacidade combinada de 18,68 Wh, o que representa um aumento de autonomia de 8,8% face ao seu antecessor. A Samsung mantém as fitas adesivas de libertação fácil já elogiadas em modelos como o Galaxy S26 Ultra, que permitem remover as células sem recurso a solventes. Ainda assim, a substituição efetiva das baterias está longe de ser simples, já que cada célula fica alojada num lado diferente do aparelho, obrigando a remover o ecrã exterior, um componente frágil e caro.
As duas baterias internas do Galaxy Z Fold8 removem-se com facilidade, mas a sua localização torna a sua substituição um processo de risco elevado
O verdadeiro problema do Fold8 está no ecrã interior e na dobradiça. A moldura de plástico que envolve o painel dobrável partiu-se em pedaços durante a remoção, e o painel OLED flexível, apesar de se soltar com relativa facilidade, não sobreviveu ao processo de desmontagem. A Samsung tem tratado historicamente a dobradiça e o ecrã interior como um único conjunto de substituição, o que significa que uma avaria em qualquer um dos dois obriga, na prática, a substituir o telemóvel quase por inteiro.


A Samsung introduziu ainda uma nova estrutura “Flex Titanium”, que combina uma película de liga de titânio com uma placa de suporte perfurada sob o ecrã OLED, prometendo uma maior rigidez para reduzir o vinco central ao longo do tempo. Os primeiros testes de utilizadores mostram resultados mistos, havendo já quem relate o vinco a tornar-se mais visível ao fim de apenas uma semana de uso, ainda que de forma meramente cosmética.
As melhorias introduzidas, como a camada “Flex Titanium” reduziram efetivamente o vindo da dobra do ecrã interior do novo Galaxy Z Fold8
A disponibilidade de peças sobresselentes continua a ser uma incógnita. As peças sobresselentes oficiais do Fold7, lançado no ano passado, continuam escassas nos canais da Samsung, o que não é um bom sinal para o Fold8. Tudo isto somado levou à atribuição de uma pontuação provisória de 4 em 10, valor este que poderá subir ligeiramente quando a Samsung publicar o manual de reparação oficial do aparelho, tal como aconteceu com o Fold7.
Ainda assim, fica claro que o dobrável mais recente da Samsung continua a arrastar o mesmo calcanhar de Aquiles dos seus antecessores, a dobradiça. Poderá ver o processo completo de desmontagem no vídeo publicado para o efeito.
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