Durante uma sessão de fotos da nebulosa Helix, conhecida nebulosa planetária a cerca de 650 anos-luz da Terra, os pesquisadores notaram pequenos detalhes na expansão e dispersão do material cósmico após a morte de uma estrela próxima. Mais do que uma foto, esses sinais podem mostrar como o universo reutiliza suas matérias primas.
De acordo com o estudo publicado na revista Nature, nas novas imagens é possível ver o material derramado através da explosão de uma estrela sendo devolvido à galáxia. Este processo é muito difícil de ser localizado e observado. Por isso, o encontro dessas imagens podem explicar praticamente como a reciclagem cósmica ocorre.
Primeiramente, o estudo procurou a Nebulosa hélice para poder calibrar o novo telescópio MOTHRA, que combina imagens de centenas de teleobjetivas para detectar e estudar gás ionizado difuso localizado entre galáxias. No entanto, encontraram o processo no meio da calibragem.
O telescópio e o modo como o Universo reutiliza suas matérias primas
Conforme a revista Phys, o MOTHRA, (Modular Optical Telephoto Hyperspectral Robotic Array), está sendo construído no Observatório El Sauce, no Chile. Roberto Abraham, da Organização de Pesquisa Focada em Libélulas e da Universidade de Toronto e coautor do estudo, disse:
Pensamos que estávamos tirando uma imagem de calibração de uma das nebulosas mais conhecidas do céu […] Em vez disso, encontramos esta extraordinária rede de estruturas em forma de arco. Ficou imediatamente claro que a tênue Hélice exterior estava nos contando uma história que em grande parte havia sido perdida.”
Acontece que a nebulosa em questão é formada pelo material expelido pela morte progressiva da anã-branca presente no centro. Porém, ao invés de focar na anã branca moribunda, dessa vez os pesquisadores focaram os telescópios no halo externo. Especificamente na região em que ele vai progressivamente ficando tênue com o fundo espacial.
Assim, no lado oriental da Nebulosa da Hélice, os pesquisadores encontraram 22 “choques de arco” completos ou parciais. Tal qual o choque de proa, em que pequenos arcos se formam conforme o movimento, o material cósmico também os formam conforme percorre o espaço.
Nesse sentido, observar esses arcos mostra a quantidade e a influência dos detritos estelares que estão se movendo rapidamente através do fino gás entre as estrelas. À medida que se afastam do centro, os arcos ficam mais finos, menores e fragmentados. Assim, progressivamente sendo diluídos pelo Universo e se tornando uma coisa nova, cumprindo o ciclo da reciclagem cósmica.
De acordo com o líder da pesquisa e astrônomo de Yale, Pieter van Dokkum, esse é apenas o começo do que poderão encontrar com o novo telescópio. Em formato de libélula, o MOTHRA se destaca por usar diversas lentes para detectar o brilho fraco de estrelas e galáxias fracas. Assim, aumentando drasticamente a capacidade de observação dos pesquisadores.
*Sob supervisão de Éric Moreira
Historiador em formação que troca qualquer “sextou” por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: