A Parpública, entidade que gere as participações do Estado, celebrou um contrato com a Pontegadea Inversiones, do empresário espanhol Amancio Ortega, para a aquisição de 13,7% da REN – Redes Energéticas Nacionais, comunicou a empresa esta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).  


A REN divulgou ao mercado que “recebeu uma comunicação por parte da Pontegadea Inversiones, S.L., informando que essa sociedade celebrou, nesta data, um contrato com a Parpública, Participações Públicas, SGPS, S.A., tendo por objeto a transmissão de 91.723.676 ações de que é diretamente titular, representativas de, aproximadamente, 13,7% do capital social da sociedade”, refere o comunicado.


O comunicado refere ainda “que a respetiva compra e venda se encontra condicionada à concessão de visto do Tribunal de Contas”.


Os valores da transação não foram revelados, mas tendo como referência a cotação das ações no fecho da sessão desta sexta-feira, nos 3,54 euros, a participação está avaliada em 324,7 milhões de euros.  


A aquisição da participação detida pelo “family office” de Ortega, fundador da Inditex, dona da Zara, marca o regresso do Estado ao capital da empresa cerca de 12 anos após a Parpública e a Caixa Geral de Depósitos terem vendido as ações que ainda detinham da empresa, privatizada gradualmente desde 2007, com a maior fatia a ser alienada em 2012 durante o Governo de Passos Coelho.


A Pontegadea Inversiones era a segunda maior acionista da REN, após ter ficado com a posição de 12% que a Oman Oil comprou nesse ano. A maior acionista continua a ser, desde 2012, a State Grid Corporation of China, com 25%.                  


Recorde-se que o primeiro-ministro anunciou em junho, no último congresso do PSD, a criação de um fundo soberano para entrar em empresas estratégicas, em setores que poderiam ir da banca, às infraestruturas e energia. 


“Vamos criar um fundo soberano de Portugal junto do IGCP que será um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em setores estratégicos”, adiantou Luís Montenegro, frisando que “a intenção é termos participações acionistas relevantes em empresas estratégicas do país e para a sua resiliência”.


Segundo detalhou o primeiro-ministro, “estamos a falar de participações em áreas como a energia, mas não excluímos a banca, as comunicações ou mesmo a gestão das infraestruturas aeroportuárias se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações”.


Montenegro adiantou ainda que esse fundo soberano “irá agregar participações já detidas pelo Estado e outras que venham a ser consideradas estratégicas” ou outras que possam vir a ser consideradas relevantes do ponto de vista do retorno financeiro.


*Com Diana Ramos