Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Porque não era a trama original. Então, para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Aí eu entendi que também falei: ‘OK, mas ela está escrevendo uma parte da história’. Vamos embora fazer. Taís Araujo à revista Quem

O drama da personagem também virou assunto nas redes sociais. Desde que as primeiras fotos do retorno de Raquel às praias foram vazadas, os telespectadores lamentaram que a personagem não ia se tornar a mulher poderosa da primeira versão.

Também tinha a esperança disso e gostaria muito de vê-la assim. Como mulher negra, como artista negra, de ver uma outra narrativa sobre mulheres negras.

Taís ainda pontua que que o espectador brasileiro está pronto para abarcar na narrativa da ascensão. “É urgente que a gente se veja nesse lugar. E acho que a Raquel tinha todas as possibilidades da gente contar essa nova narrativa dessa mulher. E quando li, pensei: Ai, meu Deus, não vai ter? Não, não vai ter’. Tenho que lidar com a realidade que me cabe, que a intérprete de uma personagem que não é escrita por mim”, lamenta.

Ela diz ler comentários que lamentam a derrocada da personagem — e concorda com eles. “Estou vendo tudo que as pessoas tão falando, tá, gente? Vendo, escutando, lendo, entendendo. Me alio para caramba com vocês nesse sentimento. Inclusive, às vezes de frustração. De querer um outro movimento. Gostaria muito mesmo que a batalha que ela tivesse, o conflito em si, fosse de outra ordem. Conflitos éticos com Odete, por exemplo. E aí quando não tem, a gente tem que lidar com o que tem. E o que tem é isso”.