Luigi Mangione foi preso num McDonalds em Altoona, Pensilvânia, em 9 de dezembro de 2024, e processado na ocasião enquanto suspeito do assassinato.

Perante o tribunal criminal de Manhattan, Nova York, admitiu, esta sexta-feira, a culpabilidade perante duas acusações federais relacionadas com a perseguição e a morte da vítima, pelas quais
pode receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. 


Mangione limitou-se a alterar a sua declaração de “inocente” para “culpado” e, ao fazê-lo, renunciou ao direito a um julgamento.

“O senhor Mangione está preparado para se declarar culpado das
acusações nesta fase”, afirmou inicialmente a sua advogada, Karen
Friedman Agnifilo, segundo a CNN. A juíza Margaret Garnett, de Nova
Iorque, pediu ao arguido que confirmasse a sua declaração, ao que este
respondeu “sim”.

“Senhor Mangione, como se declara agora?”, perguntou a juíza Margaret Garnett ao arguido.

Luigi Mangione inclinou-se para o microfone à sua frente e declarou: “culpado”.

Foi a conclusão de um ano e meio de intenso espetáculo e de disputas legais, com Mangione a admitir ter assassinado o CEO da UnitedHealthcare em Manhattan, em dezembro de 2024.

A juíza tinha-lhe feito uma longa série de perguntas para determinar se estava ciente do que estava a fazer. Mangione garantiu que sim.


“Disparei sobre o Sr Thompson e ele morreu”


Brian Thompson era CEO da maior seguradora de saúde dos EUA, a UnitedHealthcare. Mangione te-lo-á assassinado em represália contra o sistema de saúde norte-americano, que lhe terá dificultado durante anos respostas às suas necessidades de compensação após uma fratura da coluna vertebral que lhe causou anos de dores intensas.Apoiantes de Mangione – herdeiro de uma família proeminente de Maryland e
graduado de uma universidade de elite – lotaram as últimas fileiras do
tribunal criminal de Manhattan.

Esta sexta-feira, Mangione deu pela primeira vez em tribunal a sua versão da história. 

Afirmou ter descoberto que a UnitedHealthcare iria realizar uma
conferência anual para investidores em Manhattan, em dezembro de 2024.

Pesquisou
online e enviou um e-mail à empresa, “fingindo ser um investidor”,
disse Mangione ao tribunal. “Ao contrário das interações anteriores com
as seguradoras”, recebeu uma resposta rápida, acrescentou.

Usou então uma impressora 3D para fabricar uma arma e viajou entre estados com a intenção de matar. Depois, na manhã de 4 de dezembro de 2024, “disparei sobre o Sr Thompson em Manhattan e ele morreu”, declarou à juíza.


“Justiça para o Brian”

Depois da admissão de culpa, a família de Brian
Thompson divulgou uma declaração, considerando que, “a confissão de
culpa de hoje representa um passo importante para a justiça para o Brian
e para a nossa família.

Embora nada possa aliviar a dor da sua perda, estamos gratos por o
sistema de justiça federal ter responsabilizado o culpado por este ato
hediondo.

Agora, aguardamos que o tribunal garanta que a sentença reflita a gravidade deste crime.

Continuamos cientes de que ainda haverá outros processos em Nova Iorque e
na Pensilvânia, e continuaremos a procurar a justiça que o Brian
merece”, concluiu a declaração.


Admissão federal pode anular julgamento estadual

Jamie McDonald, procurador distrital dos EUA para o
Distrito Sul de Nova Iorque, declarou à saída do tribunal que, como
Mangione não fez um acordo judicial ao declarar-se culpado, os
procuradores têm liberdade para “procurar a pena máxima prevista na
lei”.

“Não há concessões nem acordos”, acrescentou McDonald. 


Os procuradores recomendaram que Mangione cumpra uma
pena de prisão entre 24 e 30 anos. Mas, em última análise, a juiz
aGarnett decidirá a sua sentença. A juíza marcou para 18 de dezembro a
leitura da sentença de Mangione, atualmente com 28 anos
.


A
advogada de defesa Friedman Agnifilo, lembrou que Mangione sofreu “anos
de dores debilitantes e graves enquanto lutava para navegar pelos
sistemas de saúde e seguros”,  acrescentando que acreditava que o
sistema “o tinha abandonado e destruído a sua vida”.

No estado de Nova Iorque, Luigi Mangione é também acusado do
homicídio e enfrenta a mesma pena de prisão perpétua. 


O seu julgamento estadual está marcado para começar a 8 de setembro com a
seleção do júri, mas espera-se que os seus advogados tentem excluí-lo,
através da exclusão de certas provas do julgamento, incluindo itens
encontrados na sua mochila na altura da detenção e declarações que ele
fez aos policias.


A
defesa argumenta também que, após o acordo de confissão assinado a nível
federal, o seu cliente não pode ser julgado uma segunda vez pelos mesmos
crimes
a nível estadual.