Rita Matias/Facebook

Chega e CDS com presença no pré-lançamento, em espaço da Câmara Municipal de Sintra. Movimento será lançado em novembro e já há contradições internas sobre a influência religiosa do mesmo.

Vai ser oficialmente lançado em novembro um movimento de mulheres conservadoras em Portugal, que já conta com apoio e envolvimento direto do partido Chega.

O Movimento Mulheres Conservadoras Portugal teve o seu pré-lançamento a 11 de julho, no Palácio Valenças, em Sintra, num espaço da Câmara Municipal, num evento que contou com a presença das deputadas do Chega Rita Matias, Cláudia Estevão e Madalena Cordeiro, mas também com a deputada federal brasileira Priscila Costa, segundo o Diário de Notícias Brasil, e com Rute Sousa, a influencer que foi notícia nos últimos dias por fazer parte de uma comitiva de portugueses que visitou Israel e Gaza a convite da embaixada israelita para promover Israel.

A iniciativa defende valores como a família, cristianismo, opõe-se ao aborto e poderá vir a reforçar a aproximação do partido de André Ventura às comunidades evangélicas. Nas redes sociais, a ligação à Bíblia é clara.

Entre as oradoras esteve também Catarina Nicolau Campos, jurista e chefe de gabinete do grupo parlamentar do CDS-PP, que defendeu que “a união entre um homem e a mulher e a família é uma circunstância humana anterior ao Estado, anterior a qualquer lei”, ouviu-se neste “dia de reflexão, aprendizagem, comunhão e fortalecimento de valores”.

“As mulheres são naturalmente conservadoras, mesmo as que não se identifiquem politicamente como conservadoras”, disse outra oradora.

“Ser uma mulher conservadora é acreditar que os valores bíblicos que atravessam gerações continuam a ser essenciais para a construção de uma sociedade mais forte, justa e humana”, diz a embaixadora Ana Carvalho, no seu Instagram partilhado com um homem, em publicação conjunta com o movimento conservador. No entanto, e contrariando a colega do movimento, Rute Sousa garante ao Expresso que o movimento “não é um movimento religioso nem tem qualquer objetivo de alterar o princípio da laicidade do Estado”.

A organização fez questão de destacar sempre a maternidade e o número de filhos de algumas das intervenientes.

Ligação à direita brasileira

Entre os conteúdos divulgados encontra-se um vídeo de uma reunião com deputadas do Chega realizada no gabinete parlamentar do partido, na Assembleia da República.

A ligação à direita brasileira é relevante particularmente devido ao peso político das igrejas evangélicas no Brasil, uma importante base eleitoral da direita e do bolsonarismo. Em Portugal, o Chega tem mantido contactos com comunidades evangélicas, embora até agora não tenha assumido uma estratégia eleitoral especificamente dirigida a este grupo.

Os Censos de 2021 registaram cerca de 186 mil pessoas com mais de 15 anos que se identificavam em Portugal como protestantes evangélicos.

André Ventura tem, por outro lado, apresentado publicamente a religião católica como uma das suas referências políticas e pessoais, incluindo visitas a igrejas durante campanhas eleitorais e participações em missas.