Lisboa Para Pessoas

Doca GIRA vandalizada na Avenida Almirante Reis

A vaga de vandalismo e furtos está a deixar estações Gira fora de serviço e a degradar a oferta aos utilizadores. O atual surto de destruição já causou prejuízos de cerca de 400 mil euros.

A rede Gira de bicicletas partilhadas de Lisboa registou este ano “avultados prejuízos” com a destruição de “mais de 1.400 docas” e 1.000 bicicletas arrancadas indevidamente, em “mais de 700 atos de vandalismo”, revelou esta quinta-feira a Câmara Municipal.

Em resposta à agência Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) confirmou que a empresa EMEL, que gere a mobilidade na cidade, “regista uma vaga de criminalidade mais agressiva, focada não só na destruição de docas e equipamento, mas também no furto de bicicletas“, situação de vandalismo que a autarquia considerou “bastante grave”.

“Esta nova vaga de crimes contra a rede Gira ocorre de forma violenta, gratuita e inesperada, através da destruição de tampas, cablagens e sensores eletrónicos, e tem tido um efeito devastador na disponibilidade do serviço“, afirmou o executivo municipal liderado pelo social-democrata Carlos Moedas.

De acordo com a CML, desde o início deste ano e até ao momento, já foram contabilizados mais de 700 atos de vandalismo, que resultaram na destruição de mais de 1.400 docas e no furto de mais de 1.000 bicicletas arrancadas das docas, em que “a grande maioria” é recuperada no próprio dia, com recurso ao GPS existente no equipamento.

O problema já tinha expressão significativa na primavera. Em maio, a EMEL indicou ao Lisboa Para Pessoas que 81 estações tinham sido severamente afetadas, sobretudo em Benfica, Carnide, Estrela e São Domingos de Benfica.

“Tudo isto causa, naturalmente, graves prejuízos e constrangimentos aos utilizadores da rede Gira”, apontou a autarquia, detalhando que, entre 2017 e 2025, foram realizadas mais de 12 mil reparações de equipamentos vandalizados, num prejuízo acumulado, até ao momento, que “ultrapassa os três milhões de euros”.

Relativamente ao “atual ciclo de destruição”, iniciado no final de 2025, os prejuízos já estão em “cerca de 400 mil euros”, indicou o município, sem adiantar quantas estações da rede Gira estão inoperacionais, nem quando se prevê a resolução do problema, e realçando o “desafio logístico e financeiro” que é manter o sistema de mobilidade suave a funcionar na capital.

A Câmara não revelou quantas estações estão atualmente inoperacionais. Segundo o Lisboa Para Pessoas, 30 estações da rede estavam atualmente fora de serviço. Na quarta-feira, a Sábado contabilizava pelo menos 34 estações Gira desativadas, com maior incidência na Baixa, Avenida Almirante Reis e Penha de França.

Na resposta, o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), que tem o pelouro da Mobilidade, frisou que estes atos de vandalismo têm “um impacto muito negativo na qualidade de um serviço que é utilizado diariamente por milhares de lisboetas” e salientou o esforço que a empresa municipal EMEL tem feito na manutenção e reparação dos equipamentos.

“Vamos continuar a investir na rede e vamos aumentar a fiscalização para garantir que quem utiliza o sistema de bicicletas Gira continua a contar com uma boa oferta de bicicletas partilhadas na cidade”, garantiu o autarca.

A EMEL disse entretanto à Sábado que tem participado as ocorrências às autoridades policiais e que está a instalar equipamentos mais resistentes ao arrombamento. A médio prazo, prevê acrescentar um novo mecanismo de segurança às docas para dificultar o furto das bicicletas.

O vereador do PCP, João Ferreira, voltou esta semana a pedir explicações ao presidente da CML relativamente ao que classificou como “graves problemas” no funcionamento da rede Gira, “em especial ao longo do último mês”, como docas e estações danificadas ou desligadas, bicicletas estragadas, falhas na aplicação e no atendimento telefónico e ausência de resposta a reclamações.

“São várias — e justificadas — as referências ao colapso do sistema por parte de muitos utilizadores”, referiu o vereador comunista, no requerimento dirigido a Carlos Moedas, enfatizando que “esta situação, não sendo inteiramente nova, resulta do agravamento de problemas preexistentes”.