Durante o discurso da festa do Pontal, o tradicional encontro de verão do PSD que se realizou esta sexta-feira, Luís Montenegro abordou o anúncio recente de que o Estado vai recomprar uma participação de 13,7% na REN, voltando a integrar a estrutura acionista da empresa que gere as redes energéticas nacionais após 12 anos. “Fazemo-lo não para renacionalizar”, ressalvou Montenegro. “Fazemo-lo para estar lá dentro, para salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica”.
Montenegro acrescentou que a entrada no capital da REN, da qual o Estado saiu totalmente em 2014, permitirá “participar nas decisões de investimento e estratégicas”, com o objetivo último de “baixar o preço da energia”. A decisão é também importante no capítulo da segurança, pela “proteção das infraestruturas críticas”.
Contudo, Montenegro salientou um outro aspeto. A compra da participação da REN pelo Estado, que tem um valor de mercado de cerca de 325 milhões de euros, é um “bom investimento financeiro”, referindo que a REN “remunera o seu capital em 4% ao ano”, salientando que a “vantagem financeira também é importante” e prometendo que o valor arrecadado será reinvestido nos setores sociais.
Esta sexta-feira, a Parpública, entidade que gere as participações empresariais do Estado, anunciou a celebração de um contrato com a Pontegadea Inversiones, do empresário espanhol Amancio Ortega, para a aquisição de 13,7% da REN. Montenegro tinha já anunciado que o Estado pretendia investir em ativos estratégicos nas áreas das infraestruturas, energia e banca, como forma de lançar um novo fundo soberano.
Montenegro também se pronunciou sobre o processo de privatização em curso da TAP, reafirmando que será “melhor do que aquilo que se perspetivava” e mostrando-se convicto de que se iniciará “a recuperação total do valor que os portugueses investiram” na companhia aérea.
Apesar de não poder ainda antecipar qual vai ser o desfecho, o primeiro-ministro disse ter “uma convicção muito firme” de que se vai “iniciar a recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”.
“Nós vamos ter um primeiro encaixe com a venda desta percentagem do capital e vamos projetar para o futuro os resultados da empresa para que os respetivos dividendos possam vir paulatinamente a compensar o investimento que lá fizemos”, antecipou.
*Com Lusa