Acusado de matar Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, Luigi Mangione declarou-se culpado das acusações federais relacionadas com o homicídio do executivo, ocorrido em dezembro de 2024, em Nova Iorque.





Mas, a justiça norte-americana prevê a possibilidade de decorrerem dois julgamentos em paralelo: um a nível estadual e outro a nível federal, uma vez que viajou entre estados para cometer o crime de que é acusado.






Na sequência da admissão de culpa feita por Mangione em tribunal, os seus advogados pediram o arquivamento do processo estadual, alegando que o arguido não pode ser julgado duas vezes pelos mesmos factos. No entanto, os procuradores contestam essa interpretação e pretendem manter o julgamento que está marcado para o próximo dia 8 de setembro.





“Depois de anos a suportar dores intensas causadas por uma lesão nas costas, a enfrentar os obstáculos do sistema de seguros de saúde e a testemunhar experiências semelhantes de inúmeras outras pessoas”, afirmou Mangione em tribunal, “soube que a United Healthcare realizaria a sua conferência anual de investidores em Nova Iorque a 4 de dezembro de 2024, embora o local exato não tivesse sido divulgado publicamente”.





Antes da sua cabal confissão, Mangione recordou que em novembro desse ano viajou para Manhattan e enviou um email à direção da UnitedHealthcare, fazendo-se passar “por um investidor de uma empresa que gere mais de 50 mil milhões de dólares em ativos” para solicitar informações sobre a conferência. “Ao contrário das minhas experiências anteriores com seguradoras, recebi uma resposta imediata, em menos de uma hora”, disse, citado pela Rolling Stone.






“Na manhã de 4 de dezembro de 2024, disparei sobre o senhor Thompson em Manhattan e ele morreu. Quando o fiz, compreendia que as minhas ações o colocariam perante o temor da morte ou de sofrer ferimentos graves. Sabia que aquilo que estava a fazer era ilegal”, confessou.






Esta mudança de estratégia surge meses depois de a defesa ter anunciado que pretendia invocar uma perturbação emocional extrema no processo estadual, um argumento que não é aceite no caso federal, um vez que apenas está inscrita na lei nova-iorquina (e noutros Estados, como o Oregon).





Mangione enfrenta agora uma possível pena de prisão perpétua, com a sentença federal marcada para dezembro. A pena de morte saiu da equação no início do ano, altura em que a juíza federal Margaret Garnett anulou as acusações federais mais graves que poderiam sustentar um pedido de pena de morte, como homicídio com recurso a arma de fogo. Assim, o processo federal ficou reduzido a duas acusações de perseguição com resultado de morte.





O caso tornou-se um dos mais mediáticos dos Estados Unidos e reabriu o debate sobre o sistema de seguros de saúde norte-americano.