
O ICNF vai concentrar o controlo dos javalis nos acessos à cidade e às praias, com caça e armadilhas. Até lá, a regra para quem se cruza com um destes animais é simples: manter distância, não o alimentar e dar-lhe espaço para se afastar.
Um vídeo de uma família de javalis a atravessar uma passadeira em Setúbal, no meio dos carros, tornou-se viral. O problema não é novo: há anos que o ZAP dá notícia de javalis a invadir praias e ruas. Mas nas últimas semanas, agravou-se.
Os animais descem da Serra da Arrábida sobretudo ao fim do dia e durante a noite. Procuram comida. Pelo caminho, escavam jardins e revolvem contentores do lixo.
Na passada quinta-feira, a Câmara de Setúbal reuniu-se com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), para perceber por onde entram os javalis na cidade e nas praias e atuar nesses pontos.
Em declarações à Lusa, o ICNF admitiu vir a recorrer a armadilhas e ações de caça.
Na Arrábida, o controlo da população já é feito há vários anos. No último ano cinegético, entre 1 de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, foram abatidos cerca de 700 javalis.
O ICNF diz que há muitos animais, mas que a população está estável. E os avistamentos nesta altura do ano também não são novidade. Depois de nascerem as crias, os grupos dispersam-se e alguns animais procuram novos territórios.
Mas encontrar um javali na rua é outra coisa. O que deve fazer?
Mantenha distância
Não se aproxime. E não tente chegar mais perto para tirar uma fotografia.
Se o javali vier na sua direção, recue devagar. Dê-lhe espaço para passar e não tente cercá-lo. Correr ou fazer movimentos bruscos também não ajuda.
Há crias? Afaste-se
Nunca se aproxime de uma cria de javali. A mãe pode estar por perto, mesmo que não a veja.
As fêmeas podem reagir quando sentem as crias ameaçadas. O melhor é afastar-se e deixar os animais seguir caminho.
Não lhes dê comida
Pode parecer inofensivo, mas não é uma boa ideia.
Um javali que encontra comida junto de pessoas aprende depressa onde deve voltar. E é precisamente isso que as autoridades querem evitar.
O mesmo vale para restos deixados junto dos contentores. A Câmara pede ainda atenção à comida destinada a colónias de gatos, que não deve ficar disponível fora dos horários definidos.
Crianças longe, cães à trela
Se houver crianças consigo, mantenha-as afastadas.
Com os cães, a regra é a trela. Um cão solto pode aproximar-se do javali ou persegui-lo. O encontro pode então tornar-se perigoso para os dois animais e para quem estiver por perto.
E se estiver a conduzir?
Reduza a velocidade, sobretudo ao anoitecer e durante a noite.
Um javali pode entrar na estrada de repente. Nas zonas junto à serra e às praias, vale a pena redobrar a atenção. Uma colisão com um animal deste tamanho pode ser grave.
Há riscos para a saúde?
Há doenças que circulam entre os javalis. Uma das que mais preocupa as autoridades é a peste suína africana.
A doença atinge porcos e javalis e pode causar grandes prejuízos à suinicultura. Não infeta seres humanos.
Se encontrar um javali morto, não lhe toque nem tente retirá-lo do local.
A morte pode ser comunicada através da aplicação ANIMAS, usada na vigilância de animais selvagens encontrados mortos.
E se encontrar um javali vivo dentro da cidade? O ICNF aconselha a avisar a GNR. Nas praias e na zona costeira, pode contactar a Polícia Marítima.
Esses avisos também ajudam a perceber os percursos usados pelos animais. É nesses acessos que o ICNF pretende concentrar agora as medidas de controlo.