António Félix da Costa fez uma recuperação notável do sétimo para o terceiro lugar no E-Prix de Londres, um resultado que ajudou a Jaguar a manter-se na frente do campeonato de equipas, apesar de uma corrida que o próprio português descreveu como difícil de gerir.

No final da corrida, questionado sobre a dificuldade em gerir o ritmo numa pista onde as ultrapassagens são complicadas, Félix da Costa foi direto: a luta em pista não foi o principal problema, mas sim as táticas dos rivais:

“Não foi assim tão difícil, para ser sincero, só porque vimos os jogos que a Porsche estava a jogar, mas eles tinham a posição na pista para o fazer. Não é necessariamente o que queremos ver e já ouvi isso antes de outras pessoas, que eram jogadas sujas, mas eles jogaram-nas, e está bem”, afirmou o piloto da Jaguar.

O português admitiu ainda que a sorte lhe sorriu num momento decisivo da corrida, ao contrário do que aconteceu com Mitch Evans, apanhado por um Full Course Yellow que o afastou dos primeiros lugares. “Felizmente para mim, tive sorte com o timing do FCY. Consegui entrar nas boxes com isso e, sim, assegurar essa posição na pista, à frente.”

Na fase final, Félix da Costa travou um braço-de-ferro com Dan Ticktum pelas posições do pódio, um confronto que classificou como mais equilibrado do que anteriores encontros entre os dois. “Depois tivemos uma boa luta com o Dan ali, e mantivemos isso um pouco mais justo desta vez do que da última vez. Ainda houve um pouco de movimento nas zonas de travagem da parte dele, mas, sim, feliz por trazer o pódio e manter as esperanças da equipa viva.”

Com este resultado, a Jaguar consolidou uma vantagem de cinco pontos sobre a concorrência no campeonato de equipas antes da última ronda da temporada. Félix da Costa, no entanto, mostrou-se cauteloso quanto à dimensão dessa margem.

“Isso não é nada. Com dois carros a marcar pontos por cada equipa, isso pode subir ou descer muito, muito rápido. Nós temos o ritmo, temos o pacote, eles também. Vai ser um dia divertido, amanhã”.

“A corrida de amanhã vai ser, obviamente, muito caótico. Temos um campeonato por equipas para lutar e ainda por cima contra a equipa e o piloto que estão a tentar ganhar o campeonato de pilotos também. Por isso, eles têm dois objetivos em cima da mesa. Nós também, o Mitch ainda pode ser campeão, mas talvez o foco mude um bocadinho agora para as equipas e pode ser um bocadinho mais claro o nosso caminho”.

“Obviamente um bocadinho triste porque oficialmente acabam as minhas chances de campeonato e sabia que ia sempre ser um ´long shot’ aqui em Londres, mas enfim, não ganhamos nem perdemos o campeonato hoje. Foi uma história de uma época inteira. Contente com o balanço da época acima de tudo. Mas pronto, amanhã vai ser um dia giro, stressante e hoje provou-se, até pelo comportamento que a Porsche depois teve com a equipa, que a qualificação era determinante em Londres. Ainda fiz algumas boas ultrapassagens hoje, dá para andar para a frente, mas obviamente com dois carros da mesma equipa colados fica muito fácil para eles. Enfim, é o que é. Não são as corridas que gostamos de ver, mas eles meteram-se nessa posição para terem a máxima flexibilidade para jogarem esses jogos e amanhã temos que fazer melhor”.