Imagine encontrar no solo de Marte um mineral associado à formação de algumas das pedras preciosas mais conhecidas da Terra. Foi justamente isso que pesquisadores identificaram durante análises de rochas na borda da Cratera Jezero.

De acordo com o Metrópoles, a descoberta ocorreu em amostras e rochas examinadas pelo rover Perseverance, da Nasa, durante uma missão realizada em 2025. Os materiais analisados estavam em regiões chamadas Hampden River, Coffee Cove e Smiths Harbour.

Mineral foi identificado em rochas marcianas Rover encontra mineral que forma rubis e safiras em rochas de Marte. – Créditos: Divulgação/Geophysical Research Letters

Enquanto examinava a região, o rover encontrou rochas claras e espalhadas. Inicialmente, o material não parecia representar algo especialmente incomum. Uma análise mais detalhada, porém, revelou assinaturas de coríndon contendo cromo.

Na Terra, esse mineral cristalino está relacionado à formação de pedras preciosas como rubis e safiras. As análises foram realizadas por espectroscopia de luminescência e identificaram características que chamaram a atenção da equipe científica.

Os pesquisadores encontraram dois picos de luminescência associados à substituição de alumínio por cromo, característica observada em rubis. Além disso, o brilho registrado em uma das rochas, localizada em Smiths Harbour, apresentou semelhanças com o coríndon encontrado na Terra.

A descoberta foi publicada na terça-feira, 11, na revista Geophysical Research Letters.

Apesar da associação com pedras preciosas, o achado não significa que o Perseverance tenha encontrado rubis ou safiras visíveis espalhados pela superfície marciana. O que foi confirmado até agora é a presença de minúsculos grãos de coríndon nas rochas analisadas.

Como o mineral se formou em Marte?

A presença do coríndon chamou atenção porque sua formação não é considerada esperada nas condições geológicas conhecidas de Marte.

O mineral costuma precisar de ambientes ricos em alumínio e pobres em silício. No entanto, Marte possui grande quantidade de feldspato plagioclásio, mineral encontrado em abundância nas amostras analisadas pelo rover.

Por isso, os pesquisadores agora tentam entender quais processos poderiam ter criado condições capazes de favorecer a formação do coríndon na região da Cratera Jezero.

Uma das possibilidades levantadas pela equipe envolve justamente o enorme impacto que teria formado a cratera há bilhões de anos. O evento teria produzido calor e pressão extremos, enquanto a ação de fluidos hidrotermais poderia ter alterado a composição química das rochas.

A combinação desses processos pode ter criado um ambiente favorável para a formação do mineral.

A descoberta, portanto, não chama atenção apenas por sua ligação com rubis e safiras. Ela também pode ajudar os cientistas a compreender melhor a história geológica de Marte e os processos que transformaram suas rochas ao longo de bilhões de anos.

Agora, o principal mistério é descobrir como o coríndon conseguiu se formar em um ambiente marciano considerado pouco favorável à sua presença.

*Sob supervisão de Giovanna Gomes