
Com o aumento do desconto do ISP decretado pelo Governo, a subida efetiva poderá ficar em cerca de 5,4 a 7,4 cêntimos por litro no gasóleo e 6,8 a 7,3 cêntimos na gasolina, praticamente anulando a descida real da semana passada.
O Governo vai aumentar o desconto no ISP na próxima semana, em 2,1 cêntimos por litro para o gasóleo e em 1,4 cêntimos para a gasolina.
A medida amortece a forte subida prevista para os combustíveis, mas não chega para preservar grande parte da descida registada esta semana.
“Face à perspetiva de que na próxima semana se irá registar uma subida dos preços do gasóleo rodoviário e da gasolina sem chumbo, o Governo decidiu ajustar o desconto extraordinário e temporário no ISP em vigor aplicável ao gasóleo rodoviário e à gasolina sem chumbo”, lê-se numa portaria publicada esta sexta-feira em Diário da República.
Assim, “os descontos resultantes da aplicação deste mecanismo temporário e extraordinário na taxa do ISP aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário e à gasolina sem chumbo são de 80,52 euros e de 49,61 euros por 1.000 litros, respetivamente”, detalha o documento.
Antes de conhecido este novo reforço do desconto, as previsões apontavam para uma subida de 8 a 10 cêntimos por litro no gasóleo e de 8,5 a 9 cêntimos na gasolina.
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) estimava um aumento de oito cêntimos no gasóleo e de 8,5 cêntimos na gasolina. O Automóvel Club de Portugal (ACP) apontava para subidas de dez e nove cêntimos, respetivamente.
Sem a intervenção do Governo no ISP, estes aumentos apagariam praticamente toda a “grande” descida da semana passada, que afinal não aconteceu: o gasóleo acabou por cair apenas 7,4 cêntimos por litro e a gasolina 8,6 cêntimos.
No caso do gasóleo, uma subida de oito a dez cêntimos anularia totalmente a queda e poderia deixar o combustível até 2,6 cêntimos acima do preço anterior. Na gasolina, os 8,5 a nove cêntimos previstos praticamente coincidiriam com os 8,6 cêntimos que o combustível perdeu esta semana.
O reforço do ISP muda as contas, mas não muito.
A redução adicional do imposto corresponde a 2,136 cêntimos por litro no gasóleo e a 1,422 cêntimos na gasolina. Como o IVA também incide sobre o ISP, o efeito no preço final pode chegar a cerca de 2,63 cêntimos no gasóleo e 1,75 cêntimos na gasolina, caso a alteração fiscal seja totalmente refletida nos preços praticados nas bombas.
Feitas as contas, a subida efetiva poderá assim ficar em cerca de 5,4 a 7,4 cêntimos por litro no gasóleo e 6,8 a 7,3 cêntimos na gasolina.
Ou seja, o novo desconto evita que a subida prevista apague por completo a descida desta semana, mas a diferença é pequena.
No gasóleo, a queda acumulada das duas semanas ficará entre zero e cerca de dois cêntimos por litro. No cenário mais elevado do ACP, a descida desta semana é praticamente anulada. Na gasolina, deverá ainda restar uma redução de cerca de 1,3 a 1,8 cêntimos por litro face aos preços anteriores à queda desta semana.
Tendo por base o preço médio do litro da gasolina e do gasóleo na quinta-feira, apurado pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), e antes de descontado o novo alívio fiscal, o preço médio do gasóleo simples poderia subir para 2,047 a 2,067 euros por litro. A gasolina simples 95 poderia atingir 1,970 a 1,975 euros.
A média pode ainda mudar em função da evolução das cotações internacionais e os preços nas bombas variam entre postos de abastecimento, marcas e localizações.
O Governo comprometeu-se a aplicar uma redução extraordinária e temporária no ISP sempre que se verifique um aumento do preço dos combustíveis superior a dez cêntimos, para mitigar a escalada dos preços.
Entretanto, a ERSE divulgou na quinta-feira uma análise à evolução dos preços dos combustíveis, feita a pedido da ministra do Ambiente e Energia.
O regulador concluiu que não encontrou sinais de que as gasolineiras em Portugal tenham retirado benefícios abusivos da subida dos preços. A diferença em relação a Espanha resulta sobretudo da fiscalidade.
No segundo trimestre de 2026, os preços antes de impostos eram, na verdade, mais baixos em Portugal. A gasolina custava menos 5,9 cêntimos por litro e o gasóleo menos 10,6 cêntimos do que em Espanha. Depois dos impostos, Portugal passava a ser mais caro em 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.
Os preços dos combustíveis continuam pressionados pela guerra no Irão, pela tensão geopolítica no Médio Oriente e pelas perturbações no estreito de Ormuz.