Conhecida principalmente por sua importância para a saúde dos ossos, a vitamina D também vem sendo estudada por seus possíveis efeitos sobre o metabolismo da glicose. Uma pesquisa publicada no Journal of the Endocrine Society encontrou evidências de que a suplementação pode aumentar em 27% a probabilidade de pessoas com pré-diabetes retornarem a níveis normais de glicemia.
O estudo reuniu dados de 10 ensaios clínicos randomizados, com um total de 4.478 adultos com pré-diabetes. Entre os participantes que receberam vitamina D, 18,5% voltaram a apresentar níveis normais de glicose, contra 14% daqueles que receberam placebo. Na análise conjunta, a suplementação foi associada a uma probabilidade 27% maior de regressão para a normoglicemia.
Uma possível explicação está na relação da vitamina D com as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. O nutriente também pode participar de processos relacionados à inflamação e à sensibilidade à insulina, mecanismos importantes para o controle da glicemia. No entanto, o resultado não significa que a vitamina D seja capaz de prevenir o diabetes em qualquer pessoa ou que a suplementação seja necessária para quem não apresenta pré-diabetes.
Outro ponto que chama atenção é a quantidade utilizada nos estudos. As doses variaram entre os ensaios, e a média ficou em torno de 4.300 unidades internacionais (UI) por dia, valor bastante superior à recomendação nutricional habitual para adultos. A própria revisão destaca que os estudos apresentaram diferenças nas doses utilizadas, na duração do acompanhamento e na definição de normalização da glicemia.
Em 2024, a Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos passou a considerar a suplementação de vitamina D em adultos com pré-diabetes que apresentam alto risco de evolução para diabetes, como uma estratégia complementar. A recomendação, porém, não significa que todos os pacientes devam tomar doses elevadas por conta própria.
O cuidado é importante porque o excesso de vitamina D pode provocar aumento da concentração de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia. Em situações mais graves, isso pode favorecer problemas como cálculos renais e alterações cardiovasculares. Por isso, doses elevadas devem ser utilizadas apenas com orientação profissional.
A vitamina D pode ser obtida por meio da exposição solar e da alimentação, embora poucos alimentos apresentem quantidades naturalmente elevadas do nutriente. Peixes gordurosos, como salmão, truta e atum, estão entre as principais fontes, enquanto gema de ovo, fígado bovino e alguns queijos fornecem quantidades menores. Produtos fortificados, como alguns tipos de leite, bebidas vegetais e cereais, também podem contribuir para a ingestão.
Apesar dos resultados, a vitamina D não deve ser encarada como substituta das principais estratégias de controle do pré-diabetes. Perda de peso quando indicada, alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico continuam sendo medidas fundamentais para reduzir o risco de evolução para o diabetes tipo 2.
Assim, a nova evidência reforça um possível papel da vitamina D no metabolismo da glicose, mas ainda não transforma o suplemento em uma solução isolada para o pré-diabetes. Para quem recebeu esse diagnóstico, a melhor conduta é avaliar individualmente os níveis de vitamina D e discutir com um profissional de saúde se a suplementação realmente é necessária.