Na quarta-feira, pouco depois do pôr do Sol, contactámos Mário Ramos, o primeiro português na lista de 1.203 caçadores de eclipses – também conhecidos como umbrófilos – agregados no portal eclipse-chaser-log. O militar reformado e divulgador de ciência, que também se dedica à fotografia, posiciona-se neste ranking mundial num honroso 181.º lugar graças ao avistamento de 16 eclipses, 4 dos quais totais.
Na mensagem que enviámos a Mário, que a recebeu no país vizinho, pedíamos acesso aos frutos fotográficos que colhera naquele fim de dia, com vista a partilhar uma selecção com os leitores e seguidores da National Geographic. A resposta acabou por se centrar mais no fenómeno do que no seu registo: “O meu foco nos eclipses é sempre a experiência visual, o comportamento dos animais e das pessoas, e as alterações da luz, temperatura e atmosfera”, escreveu-nos no primeiro de uma série de e-mails com fotografias em anexo.
Na verdade, as suas prioridades já tinham sido clarificadas, por outras palavras, no âmbito da reportagem que preparámos para a edição de Agosto da nossa revista: “Quanto mais assisto, mais aprecio a experiência. Um eclipse total do Sol é o espectáculo natural mais grandioso que existe”, lê-se em Tempo de eclipses. E continua: “No eclipse anular de 2005, organizámos uma actividade de observação no Santuário de São Bartolomeu em Argozelo [Bragança]. Sendo um eclipse anular, fizemos projecção da imagem de um telescópio filtrado na parede do Santuário. Levei os meus telescópios e coloquei-os à disposição da comunidade local. Um agricultor, com 82 anos, pediu-me para espreitar. Olhou repetidamente e assistiu a tudo. No final, perguntou-me se me podia abraçar. Disse-me que era a coisa mais bonita que tinha visto na vida.”
Desta vez, apesar de uma pedaço do nordeste português se encontrar na faixa de totalidade, Mário decidiu ir até Espanha ver o eclipse. Reservou o seu lugar no município de Valladolid, montando o seu telescópio num descampado em Villanueva del Campo. Mais do que um tipo à caça de eclipses, diz à National Geographic que prefere ser visto como um “apaixonado pelo espaço e desejoso de partilhar a experiência de avistar o céu”. Afinal, nunca mais esqueceu o seu primeiro eclipse solar total, em 1999. “Foi a coisa mais bonita que vi na minha vida. Passei a ser uma pessoa diferente, pois a experiência reduz-nos à nossa escala.”

Mário já tem viagens programadas para os eclipses solares de 2027 e 2028. Enquanto não chegam esses espectáculos cósmicos, sugerimos que espreite os seus registos desta semana, tendo em mente a filosofia do astrónomo amador: “Claro que tento fazer sempre umas fotos, mas sem grandes preocupações de composição nem edição. A totalidade passa tão depressa que não dá para perder tempo com a preocupação de controlar tempos de exposição, aberturas, etc.”