O rápido crescimento da Inteligência Artificial (IA) instalou receios relativamente à possibilidade de desempenhar as tarefas dos seres humanos e, dessa forma barata, roubar os seus empregos. Na perspetiva de um consultor sénior, que acompanha a tecnologia de muito perto, esta poderia, na verdade, permitir o pagamento de um rendimento básico universal muito alto.

As iniciativas de rendimento básico universal procuram oferecer a adultos um determinado valor recorrente, independentemente de quanto eles já têm ou da sua situação profissional, assegurando que uma pessoa possui o mínimo para sobreviver.

Em Portugal, houve já partidos, como o Livre, a propor uma solução deste tipo, que asseguraria que as pessoas teriam dinheiro para cobrir as suas despesas básicas no caso de perderem os seus empregos, por exemplo.

Com a IA em cena e a ganhar cada vez mais relevância e capacidades, Miles Brundage acredita que o impacto que a evolução da tecnologia terá na economia permitiria que os pagamentos do rendimento básico universal chegassem eventualmente 10.000 dólares mensais.

Na opinião do antigo consultor sénior de políticas da OpenAI e chefe da equipa de preparação para a Inteligência Artificial Geral até 2024, “uma experiência de [rendimento básico universal] significativamente mais generosa do que a que foi experimentada até agora (digamos, $10 mil /mês contra $1 mil/mês) teria grandes efeitos”.

Geralmente aplicado com mil dólares por mês, o montante “viável em termos de política hoje”, um rendimento básico de 10 mil dólares mensais será “viável em termos de política em alguns anos, com o crescimento impulsionado pela IA”.

Com um rendimento assegurado, as pessoas deixariam de trabalhar?

Um dos receios relativamente ao rendimento básico universal é que ele incentive as pessoas a não trabalharem. Contudo, uma experiência conduzida pelo diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, concluiu que esse montante mensal poderia, de facto, neutralizar alguns problemas.

A experiência deu a 1000 pessoas 1000 dólares por mês, enquanto um grupo de controlo de 2000 pessoas recebeu 50 dólares por mês.

Na altura, os resultados mostraram que a maioria dos beneficiários continuou a trabalhar e apenas aumentou os seus gastos com necessidades básicas, como alimentação, habitação e transporte.

Além disso, os beneficiários estavam, também, mais propensos a visitar um hospital, consultar um especialista, ir ao dentista e reduzir o consumo excessivo de álcool e drogas. A par disto, foi relatado ainda menos stresse e maior satisfação com a vida.

Os beneficiários eram, também, mais seletivos na hora de escolher um trabalho: alguns optaram por empregos com salários mais baixos para ter mais independência ou a oportunidade de entrar num determinado setor, e estavam mais propensos a abrir o seu próprio negócio.