O Município de Braga vai limpar o Memorial de Homenagem aos Advogados de Braga, instalado em fevereiro na Praça da Justiça, junto ao Tribunal Judicial da comarca, que foi vandalizado, há dias de madrugada, disse a O MINHO fonte camarária.
A peça escultórica foi pintada com um traço branco e salpicado com tinta, num ato injustificável.
Em comunicado, a Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito, sublinha que, “o ataque ocorreu num momento de luto para os advogados democratas de Braga com o falecimento do jurista bracarense Manuel Ferreira Capa”.
“A Comissão presta a sua vénia à memória de um antifascista que, apesar de discreto na ação, foi um firme apoiante da causa da resistência ao Estado Novo e aproveita para repudiar o ato de vandalismo que atingiu o memorial de homenagem aos advogados, na Praça da Justiça”, diz Paulo Sousa, membro do organismo.
Acrescenta, a propósito, que a Comissão solicitou a intervenção da Câmara Municipal, através do pelouro de João Rodrigues, que, recorde-se, custeou a obra.
Escultura representa um livro
O monumento, da autoria da arquiteta Sara Mota Gonçalves, foi custeado pela Câmara Municipal e que, na descrição que faz do monumento, descreve como se inspirou: ” A representação do livro justifica-se por ser um poderoso instrumento de trabalho dos advogados, simbolizando a resistência intelectual e a busca pelo conhecimento em tempos de repressão”.
E, prosseguindo, anota: “O rasgo no livro representa a metáfora do corte na liberdade, fazendo referência à opressão imposta pelo regime, que cerceava as liberdades individuais e políticas, fustigando a sociedade, silenciando vozes e restringindo as expressões culturais”.
Ao mesmo tempo, – acrescenta – o livro, como “ferramenta de resistência e disseminação de ideias, torna-se um símbolo de esperança e libertação. Os cravos que surgem no ‘rasgo’ são um motivo de renascimento, representando a transição de um período sombrio para um novo ciclo de democracia e liberdade. Marcam o renascimento da democracia e a recuperação dos direitos civis e políticos que haviam sido negados por anos”.