A parceria entre CFMOTO e Roland Sands Design está de volta, mas desta vez segue numa direção completamente diferente. Depois da primeira Vandal, de carácter declaradamente desportivo, Roland Sands decidiu pegar numa das motos que mais tem contribuído para mudar a imagem da marca chinesa no Ocidente: a CFMOTO 450MT, comercializada nos Estados Unidos como IBEX 450.

O resultado chama-se Vandal 2 e não pretende transformar a pequena Adventure numa superbike nem numa extravagante moto de exposição. A ideia é outra: criar uma máquina capaz de representar aquilo que Roland Sands considera estar na essência de andar de moto: liberdade, exploração e vontade de abandonar a rotina.

E basta olhar para ela para perceber que esta 450MT deixou há muito de ser uma moto convencional.

Vandal 2 não é a primeira Vandal

A distinção é importante. A primeira CFMOTO Vandal resultante da colaboração com a Roland Sands Design tinha como ponto de partida a mesma IBEX 450/450MT, mas criou uma Supermoto radical, maioritariamente estradista, e sem concessões. No caso da Vandal 2 a RSD avançou para um projeto de aventura.

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CFMOTO Vandal 2

A própria Roland Sands Design descreve esta segunda criação como uma moto destinada a levar a MT para lá da cidade, explorando autoestradas desertas, estradas de terra, lagos secos e caminhos de montanha.

Ou seja, não estamos perante uma “Vandal melhorada”, mas perante uma segunda interpretação do conceito aplicada a uma categoria totalmente diferente.

A 450MT vista pelos olhos de Roland Sands

A escolha da 450MT é particularmente interessante. A Adventure de média cilindrada tornou-se numa das CFMOTO com maior projeção internacional e representa bem a evolução recente dos fabricantes chineses: já não procuram competir exclusivamente através do preço, mas também através de design, equipamento e identidade própria.

Roland Sands pegou precisamente nessa base e levou-a para um território mais próximo das motos de Rally e das preparações Desert, retirando parte da aparência turística do modelo de série e dando-lhe uma imagem bastante mais minimalista e agressiva.

A filosofia visual é clara: menos elementos supérfluos, maior sensação de leveza e uma estética que parece preparada para desaparecer durante vários dias pelo deserto.

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Do asfalto para o deserto

Há também uma diferença conceptual interessante relativamente à primeira Vandal. Se aquela procurava explorar o lado mais radical e desportivo da CFMOTO, a Vandal 2 coloca a aventura no centro do projeto.

A campanha criada pela Roland Sands Design acompanha a moto através de estradas vazias, pistas de terra, lagos secos e montanhas, terminando em acampamentos sob as estrelas. Não é apenas cenário para fotografias: é a narrativa escolhida pela RSD para explicar aquilo que esta moto pretende representar.

A Vandal 2 é, portanto, tanto um exercício de customização como uma declaração sobre a utilização da moto.

Num mercado Adventure onde as motos se tornam progressivamente mais sofisticadas, pesadas e carregadas de tecnologia, Roland Sands parece recuperar uma ideia muito mais simples: depósito cheio, bagagem mínima e uma estrada que não sabemos exatamente onde termina.

Uma preparação que também valoriza a CFMOTO 450MT

Para a CFMOTO, projetos deste género têm outra importância. A colaboração com um preparador norte-americano tão conhecido como Roland Sands ajuda a colocar os modelos da marca num universo cultural que, durante décadas, esteve praticamente reservado às marcas europeias, americanas e japonesas.

E utilizar precisamente a 450MT como ponto de partida reforça a crescente importância das Adventure de média cilindrada.

Em vez da corrida permanente para motores maiores e potências superiores, motos como a 450MT apostam numa combinação diferente: dimensões controláveis, peso relativamente reduzido, capacidade fora de estrada e prestações suficientes para viajar. A Vandal 2 leva essa filosofia ao extremo visual.

Vai existir uma CFMOTO Vandal 2 de produção?

A Roland Sands Design apresenta a Vandal 2 como uma custom build, e não como um novo modelo de produção anunciado pela CFMOTO. Não existe, neste momento, indicação oficial de preço, número de unidades ou comercialização de uma Vandal 2 nos concessionários.

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Por isso, quem olhar para estas imagens e imaginar uma futura edição especial da 450MT deverá, pelo menos por enquanto, moderar as expectativas. Mas isso não torna o projeto menos interessante. Muito pelo contrário!

Duas 450MT, duas Vandals, duas personalidades

É talvez esta a melhor forma de compreender os dois projetos. A primeira Vandal mostrou aquilo que Roland Sands conseguia fazer com o lado mais desportivo da CFMOTO. A Vandal 2 pega numa Adventure e procura descobrir até onde pode levar a sua personalidade.

São motos completamente diferentes unidas pela mesma ideia: utilizar modelos da CFMOTO como tela em branco para uma interpretação muito própria da cultura motociclista.

E desta vez a escolha da 450MT parece particularmente acertada. Num momento em que as Adventure médias estão a ganhar cada vez mais adeptos, Roland Sands transformou uma das protagonistas dessa nova geração numa espécie de moto de fuga para o deserto.

Sem malas gigantes, sem luxo e sem a obsessão por centenas de cavalos. Apenas uma 450, terra pela frente e a vontade de descobrir onde acaba o caminho. Talvez seja precisamente por isso que a Roland Sands Design resume a Vandal 2 como um regresso àquilo que andar de moto sempre significou: liberdade e exploração.

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