A Triomatica Games, estúdio ucraniano responsável por Boxville e Boxville 2, prepara-se para apresentar uma nova proposta que promete desafiar a capacidade de raciocínio dos jogadores. Chama-se I Want to Play the Villain! e troca os tradicionais cenários de aventura por um palco de teatro onde nada é tão simples como parece.
Anunciado oficialmente pelo estúdio, o novo jogo é uma experiência de puzzles lógicos centrada num conceito bastante peculiar: cabe ao jogador organizar o elenco, atribuir os papéis certos a cada ator e alterar a própria história para conseguir criar a representação perfeita.
A ideia pode parecer simples à primeira vista, mas existe um pequeno problema. Cada ator tem a sua própria personalidade, os seus desejos, ambições, medos e até papéis favoritos. Conseguir que todos fiquem satisfeitos é, por isso, uma questão de lógica.
E se o problema não fosse a história, mas o elenco?
Em I Want to Play the Villain!, o palco transforma-se num verdadeiro quebra-cabeças. O objetivo passa por descobrir qual é o papel mais adequado para cada personagem e reorganizar o elenco para que a representação decorra conforme as expectativas dos seus intervenientes. Um ator pode querer desesperadamente interpretar determinado personagem, enquanto outro poderá ter medo de assumir um papel específico.
Cabe ao jogador perceber estas relações e encontrar a combinação capaz de satisfazer todos.
Para tornar as coisas ainda mais interessantes, não será apenas necessário trocar atores de posição. Também será possível alterar os seus fatos e modificar determinados elementos da história, criando diferentes versões da mesma representação.
É aqui que a proposta da Triomatica Games começa a ganhar particular interesse. Uma pequena alteração pode ter consequências no resto do espetáculo, obrigando o jogador a pensar não apenas na solução imediata, mas também na forma como cada decisão influencia os restantes elementos.
Cada capítulo apresenta um novo desafio
A aventura encontra-se dividida em diferentes capítulos, cada um deles com o seu próprio cenário, personagens, mecânicas e história.
Esta estrutura deverá permitir que I Want to Play the Villain! introduza gradualmente novos desafios, evitando que a resolução dos puzzles se torne demasiado previsível. À medida que o jogador conhece melhor os diferentes atores, também terá de aprender a interpretar as suas personalidades e compreender aquilo que os motiva.
Na prática, será quase como trabalhar como realizador de uma peça de teatro particularmente complicada.
Contudo, neste caso, não basta escolher quem interpreta o herói e quem interpreta o vilão. É necessário compreender as relações entre todas as personagens e descobrir como encaixar cada uma delas na história.
E o próprio título do jogo dá uma pista curiosa sobre aquilo que podemos esperar. Afinal, talvez exista sempre alguém no elenco que queira desesperadamente interpretar o vilão.
As escolhas podem transformar o espetáculo
Um dos conceitos mais interessantes apresentados pela Triomatica Games é a natureza modular das histórias. Ao alterar a composição do elenco, os papéis ou determinadas circunstâncias da representação, o jogador poderá assistir a performances diferentes e chegar a resultados distintos.
Isto significa que não existe necessariamente uma única forma de abordar cada situação. O desafio estará em perceber as regras daquele capítulo e utilizar a informação disponível para construir a melhor combinação possível.
A proposta aproxima-se assim de um jogo de lógica tradicional, mas acrescenta-lhe uma camada narrativa que poderá tornar cada solução mais interessante. Em vez de simplesmente procurar a resposta correta para um puzzle, o jogador terá de compreender as motivações das personagens para descobrir qual é a solução que melhor funciona para aquele espetáculo.
Uma evolução natural para a Triomatica Games
Para quem conhece o trabalho anterior da Triomatica Games, I Want to Play the Villain! representa uma evolução bastante natural.
O estúdio ganhou reconhecimento com Boxville, uma aventura de puzzles que combina ambientes desenhados à mão com uma experiência narrativa sem depender de diálogos tradicionais. A sua continuação, Boxville 2, manteve essa aposta, apresentando uma nova aventura repleta de exploração e desafios lógicos. Na Steam, Boxville 2 apresenta atualmente uma classificação “Very Positive”, com 96% das avaliações dos utilizadores positivas no momento da consulta.
Mais recentemente, a Triomatica aventurou-se também pelo mistério e investigação com Trust No One, uma aventura point-and-click em que os jogadores assumem o papel de um jornalista que tenta desvendar uma conspiração relacionada com uma misteriosa empresa de inteligência artificial. O jogo utiliza novamente puzzles e exploração como elementos fundamentais da experiência.
I Want to Play the Villain! parece, portanto, continuar essa tradição, mas levando a lógica dos puzzles para um contexto completamente diferente.
Uma peça de teatro que queremos ver até ao fim
Visualmente e conceptualmente, o novo projeto da Triomatica Games apresenta uma identidade própria. O teatro oferece ao estúdio uma excelente oportunidade para brincar com personagens, cenários, papéis e histórias, enquanto a componente de puzzle garante que o jogador terá de estar atento a todos os detalhes.
Mais do que simplesmente encontrar uma solução, será necessário compreender quem são os atores que temos pela frente.
Quem quer ser o herói? Quem prefere ser o vilão? Quem tem medo de determinada situação? Quem precisa de contracenar com uma personagem específica? E será possível satisfazer todos ao mesmo tempo?
São estas perguntas que deverão transformar cada capítulo numa espécie de exercício de lógica disfarçado de espetáculo teatral.
A Triomatica Games ainda não revelou a data definitiva de lançamento de I Want to Play the Villain!, mas já confirmou que o jogo chegará ao PC e consolas, além de dispositivos móveis. Estão previstas versões para Steam, Epic Games Store, GOG, PlayStation 4 e PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, iOS e Android.
Antes disso, os jogadores poderão experimentar uma demo gratuita na Steam a partir de 17 de agosto.
A versão final terá suporte para vários idiomas, incluindo português, algo particularmente interessante para os jogadores nacionais que gostam deste género de experiências.
Para já, I Want to Play the Villain! apresenta-se como uma proposta bastante original dentro do género dos jogos de puzzles. A combinação entre lógica, narrativa e teatro poderá resultar numa experiência descontraída, mas suficientemente desafiante para obrigar os jogadores a pensar cuidadosamente antes de mexerem numa única peça do elenco.
Afinal, no teatro, mudar o papel de um único ator pode ser suficiente para alterar toda a história. E neste jogo, parece que essa será precisamente a ideia.






