Vanessa nasceu a 3 de janeiro de 1996, no Barreiro, e descreve os primeiros anos de vida como uma infância feliz. Era a primeira filha dos pais, que se tinham conhecido na escola e vivido um amor de adolescência. Aos seis anos, viu nascer a irmã e, um ano depois, os pais separaram-se. Apesar da rutura, a família manteve-se próxima e Vanessa recorda a presença constante do pai, que «sempre, sempre nos apoiou» e «nunca deixou faltar nada». Durante esse período, chegou mesmo a pagar a renda da casa onde as filhas viviam com a mãe, até esta encontrar um novo companheiro. Para Vanessa, essa presença paterna seria uma constante nos momentos mais difíceis da sua vida.

Aos 14 anos, Vanessa começou a afastar-se do percurso que tinha tido até então. «Passou muita coisa pela vista, drogas, a vida do crime», recordou, admitindo também que deixou de ir às aulas. A situação acabou por levá-la à proteção de menores e marcou o início de uma adolescência conturbada. Aos 18 anos, surgiu outro momento decisivo na sua vida: «Aqui com 18 anos, eu engravido.»

A gravidez aos 18 anos

Aos 18 anos, Vanessa descobriu que estava grávida depois de começar a sentir fortes dores de barriga. Foi ao hospital e recebeu a notícia de forma inesperada: «E aí que me dizem que eu estava grávida. Caí tudo ao chão.» À saída, encontrou o pai, que lhe deu um abraço e tentou tranquilizá-la: «Não te preocupes, filha, tudo se vai resolver.» Vanessa decidiu, naquele momento, que queria abortar.

Pouco tempo depois, as dores voltaram ainda mais fortes e Vanessa regressou ao hospital. Foi então que descobriu que tinha uma gravidez ectópica e que corria risco de vida. «Senta-te numa cadeira de rodas, não podes andar, corres perigo de vida», ouviu no hospital, antes de ficar internada. «Foi uma coisa brutal para uma criança, uma adolescente de 18 anos», recorda.

Uma segunda gravidez

Mais tarde, Vanessa engravidou novamente, desta vez numa relação que já sabia não ser estável. Começou a perceber que o namorado talvez nunca a tivesse amado verdadeiramente: «Eu sei que ele me dava valor, mas não me amava.» A relação era marcada por um estilo de vida que não correspondia ao que Vanessa procurava e por «mais uma vez, traições».

Apesar das circunstâncias, esta segunda gravidez foi vivida de uma forma diferente. Vanessa revela que gostava de ter tido o bebé, mas sabia que não tinha uma relação estável e acabou por enfrentar fatores que não conseguia controlar. «Foi horrível para mim, foi horrível», confessa.

«Eu não era eu»: o momento de quebra e a procura por respostas

Em 2019, Vanessa terminou o namoro e concluiu a faculdade, seguindo depois para a Ordem dos Advogados e, mais tarde, para a Câmara Municipal da Moita, onde trabalhou como jurista. Mas, depois de vários anos a lutar para construir o seu caminho e sem sentir que estava a alcançar os resultados que esperava, começou a ficar exausta. «Eu fiquei muito cansada», confessou. Foi nessa altura que reconheceu: «Deixei de ser um bocadinho resiliente e entreguei-me ao caminho mais fácil.» Pouco depois, começaram as tonturas e, num dia particularmente difícil, no trabalho, deixou de conseguir ouvir o que a advogada lhe dizia. Saiu a chorar e, como tantas outras vezes, ligou ao pai, que lhe disse para ir imediatamente ao médico. «Eu não era eu», desabafou Vanessa, reconhecendo naquele momento que alguma coisa tinha mudado.

Da solidariedade à reinvenção: Vanessa encontra um novo propósito

Uma semana depois de sair a chorar e procurar o apoio do pai, Vanessa viajou para São Tomé e Príncipe, um lugar que descreve como aquele a que recorre quando está mal e que lhe traz uma sensação de renovação. Foi nesse período que começou a perceber melhor o que estava a acontecer consigo, acabando por reconhecer que enfrentava ansiedade generalizada. A partir daí, iniciou um processo de acompanhamento e psicanálise, que lhe permitiu compreender alguns dos problemas que carregava e começar a reconstruir-se.

Depois de começar a trabalhar por conta própria, Vanessa encontrou também uma nova forma de realização através da solidariedade. Em dezembro de 2025, juntamente com a prima Carolina, fundou a Associação Coração Santola, onde apoia crianças nas escolas e famílias sinalizadas. «Se eles acham que eu estou a ajudar a eles, eles é que não têm ideia do quanto me ajuda a mim», confessou, explicando que é nesses momentos que se sente mais feliz. Vanessa reconhece, porém, que tem uma necessidade constante de mudança: «Eu só estou bem quando estou a inventar coisas novas e quando mudo e quando me reinvento.» Por isso, admite que não podia deixar passar a oportunidade de entrar no reality show. «O Big Brother está a fazer com que eu realmente me torne uma pessoa ainda mais empática do que eu era», afirmou, assumindo que ainda tem «que crescer muito aqui».