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A raiva é uma das doenças infecciosas mais antigas e letais conhecidas — depois que os sintomas aparecem, a taxa de mortalidade se aproxima de 100%.
Mas, apesar da gravidade, a doença pode ser evitada e, por isso, entender como o vírus entra no organismo e avança pelo sistema nervoso ajuda a explicar por que a prevenção é tão importante.
Confira como esse patógeno viaja pelo organismo e o que ele faz quando chega ao corpo humano:
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1. A transmissão
O vírus da raiva, que só afeta mamíferos, incluindo o homem, pertence ao gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, e é transmitido por mordida, lambida ou arranhão de um animal infectado.
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No Brasil, cães e gatos são os principais responsáveis pela disseminação na área urbana, enquanto na rural os morcegos são transmissores preponderantes.
O vírus é transferido no momento em que a saliva do animal entra em contato com a pele lesionada.
2. A incubação e o bote
Numa primeira etapa, ele se aloja e se replica nos músculose tecidos do local do ataque, ainda sem dar sinais do problema.
Essa fase assintomática leva em média 45 dias, a depender do local do contágio: quanto mais perto da cabeça, mais rapidamente os danos aparecem.
Então, utilizando receptores concentrados na junção neuromuscular, um ponto de encontro entre o nervo motor e a fibra muscular, o vírus alcança os nervos periféricos e invade o sistema nervoso.
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3. O ataque letal
Ao se propagar, o vírus chega à medula e viaja em direção ao cérebro, momento em que surgem sintomas genéricos, como febre, dor de cabeça, mal-estar, coceira ou ardência no local da lesão.
Em alguns dias, a doença progride para uma encefalite grave e a morte.
Na forma furiosa, a inflamação causa alucinações, agressividade e salivação excessiva, além de espasmos intensos ao ver ou tentar beber água. Na forma paralítica, provoca travamento dos músculos.
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Entenda como o vírus da raiva percorre pelo organismo. (Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)
Muito além de cães e gatos
No ambiente rural, a raiva atinge bovinos, equinos e suínos, provocando agressividade. No silvestre, afeta macacos e capivaras, entre outros, causando paralisia progressiva.
Já pelos ares, os principais transmissores são os morcegos, que passam a apresentar comportamento anormal, como voos diurnos.
Como se proteger com vacinas
A condição do animal agressor guia a profilaxia. Pós-exposição, a vacina é administrada em quatro doses, a fim de estimular a produção de anticorpos.
Para quem trabalha sob maior risco, caso de veterinários, é usada preventivamente em duas doses, com monitoramento anual para checar se precisa de reforço.
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E quando são usados soro ou imunoglobulina?
O primeiro é preparado a partir de plasma de equinos hiperimunizados contra raiva. Já a imunoglobulina é extraída do sangue de pessoas vacinadas.
Entram no esquema levando-se em conta, além do estado do animal, o lugar e a extensão das lesões. São aplicados no ferimento, como complemento à vacina.
Agosto é o mês do cachorro louco?
Relacionada à agressividade dos cães no período reprodutivo, a expressão é um lembrete para a vacinação antirrábica anual dos animais.
*Fonte: Paulo Eduardo Brandão, virologista e professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP)