
Javalis na Praia da Arrábida, Setúbal.
A população de javalis continua a aumentar em várias zonas de Lisboa e Vale do Tejo, levando as autoridades a reforçar as medidas de controlo. No último ano cinegético, foram abatidos oficialmente cerca de 6450 animais em toda a região.
Em Setúbal, onde têm sido avistados vários javalis no centro da cidade e nas praias próximas, o plano de controlo será reforçado. No último ano, foram abatidos cerca de 700 animais no Parque Natural da Arrábida.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) admite agora recorrer a armadilhas e à caça em pontos considerados críticos. Segundo Carlos Albuquerque, diretor regional do ICNF de Lisboa e Vale do Tejo, estas medidas pretendem reduzir a presença dos animais em zonas onde a sua concentração tem aumentado.
Além dos 700 javalis abatidos na Arrábida, foram caçados 141 na área do Parque Natural de Sintra-Cascais. No conjunto da região, o ICNF estima que tenham sido abatidos oficialmente cerca de 6450 javalis através de ações de caça e controlo de densidades excessivas.
Estima-se que existam atualmente cerca de 300 mil javalis em Portugal continental. O aumento da disponibilidade de alimento e as alterações no uso do solo são apontados como alguns dos fatores que têm contribuído para o crescimento das populações.
De acordo com o Correio da Manhã, a presença crescente destes animais também tem impactos nos ecossistemas. O ICNF alerta que a alimentação dos javalis inclui invertebrados e vertebrados, podendo contribuir para a redução de espécies de aves que nidificam no solo, como codornizes, perdizes e noitibós.
O próprio instituto considera que o abate realizado atualmente não é suficiente para controlar a população e os impactos associados, defendendo um reforço da caça como uma das medidas de gestão dos animais em estado selvagem
Para além dos danos ambientais e agrícolas, os javalis podem representar riscos para a saúde pública. De acordo com o ICNF, estes animais podem funcionar como reservatórios e hospedeiros de diversos agentes patogénicos, podendo transmitir doenças ao ser humano, entre as quais a tuberculose e a hepatite E.
Na serra de Sintra, proprietários de quintas também têm manifestado preocupação com o aumento da presença de javalis. Alguns já instalaram cercas eletrificadas para tentar impedir a entrada dos animais nas propriedades, embora haja relatos de que os javalis conseguem danificar ou ultrapassar estas barreiras.
A Parques de Sintra anunciou entretanto um reforço da monitorização da presença destes animais, enquanto o ICNF admite a possibilidade de recorrer à captura com armadilhas.
A GNR iniciou também uma operação de fiscalização da atividade cinegética, que decorre até 28 de fevereiro. A operação pretende prevenir, detetar e investigar situações de caça ilegal, contribuindo simultaneamente para a proteção da biodiversidade, dos ecossistemas e da segurança pública.
Na operação realizada no ano passado, foram fiscalizados 10.751 caçadores, tendo sido detetados 136 crimes e efetuadas 133 detenções.
Apesar das milhares de capturas e abates registados, as autoridades reconhecem que o controlo da população de javalis continua a ser um desafio, sobretudo em zonas onde os animais se aproximam cada vez mais de áreas urbanas.