A missão CosmoCube quer usar o lado silencioso da Lua para captar um sinal muito antigo do Universo e, assim, perceber como ele evoluiu desde os seus primeiros momentos.
Há uma parte da história do Universo que permanece praticamente às escuras e, para a estudar, há quem queira colocar uma pequena sonda na órbita da Lua e aproveitar o silêncio radioelétrico do seu lado mais afastado em busca de sinais emitidos há milhares de milhões de anos.
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Leva o nome de CosmoCube e é uma missão promovida por uma equipa britânica de cientistas com o objetivo de procurar a chamada linha dos 21 centímetros, uma emissão de rádio produzida pelo hidrogénio neutro no Universo primordial. Este sinal pode funcionar como uma espécie de termómetro cósmico, permitindo reconstruir a evolução da temperatura do gás pouco tempo depois do Big Bang, durante as chamadas “idades negras”, até ao aparecimento das primeiras estrelas e galáxias e à posterior reionização do Universo, cerca de mil milhões de anos depois.
A vantagem de procurar este sinal a partir da Lua está precisamente no seu silêncio. Na Terra, as emissões de rádio produzidas por seres humanos – desde estações de FM a comunicações aeronáuticas – podem esconder um sinal extremamente fraco. A ionosfera terrestre também interfere com as observações. Já o lado afastado da Lua fica protegido da maior parte do ruído radioelétrico proveniente da Terra.

A linha dos 21 centímetros é particularmente interessante porque o seu comprimento de onda aumenta à medida que o Universo se expande. Ao observar diferentes graus desse desvio para o vermelho, os cientistas podem acompanhar diferentes momentos da história cósmica. A intensidade e a forma do sinal poderão ainda conter pistas sobre a matéria escura, cuja influência ajudou a determinar a formação das primeiras estruturas do Universo.
A CosmoCube assenta num pequeno satélite, semelhante a um CubeSat, concebido para orbitar a Lua a cerca de 100 quilómetros de altitude. A missão está prevista para durar dois anos e deverá recolher dados enquanto a sonda passa pela região protegida pela Lua, onde a interferência terrestre é significativamente reduzida. O desenvolvimento do espectrómetro já foi descrito em trabalhos científicos.
O projeto conta já com mais de dois milhões de libras de financiamento da Agência Espacial do Reino Unido e tem um custo total estimado a rondar os 50 milhões de libras. O lançamento é apontado para dentro de cerca de cinco anos.
Mas existe uma corrida contra o tempo: outras missões estão a caminho da Lua e poderão levar consigo precisamente o tipo de equipamento que produz o ruído radioelétrico que a CosmoCube tenta evitar. A preservação do lado afastado da Lua como zona privilegiada para a radioastronomia começa, por isso, a tornar-se uma questão científica cada vez mais relevante.
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