O Irão estará a ponderar atacar alvos militares norte-americanos na Europa caso os Estados Unidos decidam intensificar a guerra, numa altura em que Teerão está a estudar as opções que tem em cima da mesa após Donald Trump, Presidente norte-americano, ter dito que não pretende prolongar o cessar-fogo – que expirou na segunda-feira – acordado no memorando de entendimento assinado pelas duas partes em junho.


Duas fontes internas do regime iraniano revelaram ao Financial Times (FT) que as forças armadas do país avaliaram a possibilidade de atacar alvos norte-americanos em países do sudeste da Europa, como a Bulgária, que no mês passado aprovou a utilização da sua base aérea de Bezmer para aeronaves de reabastecimento norte-americanas. Uma das fontes acrescentou ao jornal britânico que Chipre – onde uma base norte-americana já tinha sido alvo de um ataque – também está entre as potenciais áreas de retaliação, caso haja uma nova ofensiva dos Estados Unidos no Irão.


Na terça-feira, Trump afirmou que “não há negociações nem conversações em curso, nem agendadas” com Teerão. E não se sabe, para já, se os EUA estarão a preparar-se para atacar novamente o país, sendo que a Administração Trump já deixou claro que pretende pressionar economicamente o Irão para obrigar o país a sentar-se à mesa das negociações e a aceitar as exigências de Washington, nomeadamente no que toca ao estreito de Ormuz.


No mês passado, as autoridades iranianas tinham ameaçado o Reino Unido devido à utilização de bases militares britânicas pelos EUA, afirmando que “qualquer base que seja utilizada para lançar um ataque contra o território iraniano será considerada um alvo legítimo”. Segundo as mesmas fontes, a retaliação do Irão dependerá das ações de Washington.


Neste contexto, Sidharth Kaushal, investigador do “think tank” Royal United Services Institute, em Londres, descreveu a ameaça representada pelos mísseis iranianos para alvos na Europa e noutros locais como “real, mas limitada”, cita o FT, já que o Irão poderia mobilizar mísseis balísticos de médio alcance contra alvos norte-americanos no sul e sudeste da Europa, mas que estes teriam dificuldade em causar danos a distâncias maiores.


Kaushal revelou ainda que o Irão poderá utilizar mísseis de maior potência que tem no seu arsenal, mas que teriam de transportar uma carga mais leve para alcançarem uma distância suficientemente longa — o que significa que os danos seriam mínimos.


A NATO afirmou, entretanto, estar preparada para “enfrentar qualquer ameaça”, em resposta à notícia avançada pelo FT. A CNN cita um responsável da aliança que sublinhou que a NATO “fará sempre o que for necessário para defender todos os aliados“.


Notícia atualizada pelas 11h50 com informação adicional.