O Hotel Cascais Miragem vai avançar com o despedimento de 177 trabalhadores, na sequência da realização de obras de remodelação que encerrarão a unidade hoteleira durante dois anos, alertou esta quarta-feira fonte sindical.


Em causa está o despedimento coletivo de 142 trabalhadores efetivos e de 35 contratados a termo, num universo de 182 pessoas que trabalham na unidade hoteleira do concelho de Cascais (distrito de Lisboa), disse à agência Lusa Luís Batista, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes, e Similares do Sul.


De fora deste processo deverão ficar os cinco trabalhadores que desempenham funções administrativas.


“A fundamentação da empresa é que terá de despedir estes trabalhadores porque decidiu investir numas obras de luxo no hotel, onde prevê gastar 80 milhões de euros. Como não quer assegurar o pagamento dos salários, nem manter os postos de trabalho, tenta aqui utilizar uma figura jurídica, que é a figura de suprimento coletivo, para deixar de ter responsabilidades perante estes trabalhadores”, apontou.


Segundo Luís Batista, o despedimento que a administração do Cascais Miragem pretende levar a cabo “não cumpre os pressupostos previstos no artigo 359.º do Código de Trabalho”, argumentando que “não existe um nexo causal entre a realização das obras e a necessidade de despedir os trabalhadores”.


“Não estamos perante uma empresa que tenha dificuldades económicas. Não estamos perante uma empresa que vai mudar o ramo de atividade ou que vai deixar de precisar de trabalhadores”, apontou.


Para o sindicalista, a opção “mais sensata” da administração teria sido a realização de obras “de forma faseada”, permitindo manter o hotel parcialmente em funcionamento.


“O que não falta são exemplos de grandes cadeias hoteleiras que fizeram nos últimos anos obras de renovação dos seus hotéis, enquanto estes funcionavam, sem pôr qualquer despedimento coletivo em cima da mesa”, sublinhou.


No entanto, apesar dos moldes decididos, o sindicalista considera que a administração da unidade hoteleira dispõe de alternativas ao despedimento dos trabalhadores.


Entre as alternativas está a realização de formação profissional durante o encerramento, a suspensão voluntária dos contratos, rescisões por mútuo acordo ou a manutenção dos postos de trabalho com dispensa temporária da prestação de trabalho e pagamento dos salários.


“Todas estas questões, nós colocámos em cima da mesa, mas a empresa apenas está disponível para aceitar a única que não lhe causa nenhum impacto económico, que é a suspensão dos contratos de trabalho”, apontou.


A Lusa contactou o Hotel Cascais Miragem para obter um esclarecimento da administração, mas não obteve resposta até ao momento.


No entanto, citado numa notícia do jornal Observador, o diretor-geral desta unidade hoteleira de cinco estrelas, José Branco, confirmou que o despedimento coletivo, justificado pelas obras de remodelação.


Por sua vez, numa resposta enviada à Lusa, fonte da Câmara Municipal de Cascais ressalvou que, “embora se trate de uma matéria de direito laboral e privado, a situação do emprego, do turismo e da atividade económica” no município “é uma prioridade” para a autarquia.


“Já nos foi solicitada uma reunião, que esta agendada para o início setembro para ouvir, refletir e encontrarmos pontes e entendimentos que sirvam para continuar a fazer de Cascais um dos concelhos com a taxa de desemprego mais baixa a nível nacional”, sublinha a autarquia, presidida por Nuno Piteira Lopes (PSD).


O Hotel Cascais Miragem foi adquirido em 2025 pelo grupo espanhol constituído pela Ibervalles e pela ARD Investment & Development por cerca de 125 milhões de euros, estando previsto um investimento adicional de cerca de 80 milhões de euros na remodelação e reposicionamento da unidade, num projeto global de cerca de 205 milhões de euros.