Wall Street protagonizou, nesta quarta-feira, uma recuperação após o Tesouro norte-americano ter anunciado planos para duplicar a recompra de obrigações de longo prazo, num sinal de que os EUA querem reduzir os custos de financiamento após os juros terem atingido máximos de várias décadas. O anúncio aliviou as taxas de juro das obrigações norte-americanas a 30 anos – que tinham atingido máximos de 2007 – e fez o dólar sofrer a maior queda em três meses.
No que toca aos principais índices do mercado norte-americano, o S&P subiu 0,21% para 7.707,98 pontos, o Dow Jones aumentou 0,22% para 53.463,05 pontos e o Nasdaq Composite cresceu 0,16% para 26.331,09 pontos.
A grande protagonista do dia foi a Moderna, cujas ações dispararam 176,97% depois de ter anunciado, em conjunto com a Merck, que um estudo sobre uma vacina de ARN-mensageiro (ARNm) personalizada, em combinação com o medicamento de imunoterapia Keytruda, reduziu a recorrência e a propagação do cancro da pele.
Em termos empresariais, destaque ainda para a Marvell Technology (+9,85%), que concordou em dar à Alphabet (+0,12%) o direito de comprar até 12,2 mil milhões de dólares (cerca de 10,5 mil milhões de euros) em ações da empresa, em troca da compra de chips. No que toca a outros fabricantes de chips, o dia foi negativo, com a Intel (-4,02%), a Nvidia (-0,99%), a SMCI (-2,22%) e a Micron (-0,29%) a registar recuos.
A Estée Lauder (+16,39%) superou estimativas e travou uma sequência de três anos consecutivos de queda na receita anual. Já a SK Hynix (+0,35%) anunciou um plano de recompra de ações no valor de 40 biliões de wons (cerca de 24,6 mil milhões de euros), na sequência de uma queda de mais de 50% no valor das suas ações em dois meses.
Sobre o reforço das recompras de obrigações, Lawrence Gillum, da LPL Financial, considerou, citado pela Bloomberg, que se trata “mais de um penso rápido do que uma cura”. “Mas é um lembrete de que o Departamento do Tesouro está atento e fará o que puder para impedir que os juros subam demasiado depressa”, acrescentou.
Já Krishna Guha, da Evercore, foi mais cauteloso. Para o analista, a intervenção pode atrair investidores tentados pela recente subida dos juros e forçar alguma cobertura de posições curtas no curto prazo, mas “a operação não muda praticamente nada em termos de fundamentais“, sendo o aumento do volume das operações “modesto” face aos fluxos do mercado de dívida do Tesouro.
Ainda esta quarta-feira, as minutas da última reunião de política monetária da Reserva Federal mostraram que vários responsáveis defenderam uma subida das taxas de juro em julho, com muitos a indicar que um aperto monetário seria necessário caso a inflação não recuasse.