O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 foi um espetáculo para milhões de pessoas na Terra, mas também proporcionou imagens extraordinárias a partir do espaço. Vários satélites, astronautas e missões espaciais registaram diferentes momentos do fenómeno, mostrando a sombra da Lua a atravessar a Terra e oferecendo uma perspetiva impossível de obter a partir do solo.

No dia 12 de agosto, a Lua passou diretamente entre o Sol e a Terra, projetando a sua sombra sobre o nosso planeta. A faixa de totalidade atravessou regiões como a Gronelândia, a Islândia, Espanha e até Portugal, permitindo a observadores nessas zonas assistir ao desaparecimento momentâneo do disco solar.

Apesar de impressionante na Terra, o fenómeno ganhou uma dimensão completamente diferente a partir do espaço.

Em vez de observar apenas o Sol a desaparecer progressivamente, várias missões conseguiram captar diferentes perspetivas do eclipse, incluindo a sombra da Lua a deslocar-se sobre a superfície terrestre.

Proba 3 registou um raro duplo eclipse

Uma das perspetivas mais invulgares surgiu da missão Proba 3, da Agência Espacial Europeia (em inglês, ESA). Os dois satélites da missão voam em formação extremamente precisa, separados por cerca de 150 metros, permitindo que um deles bloqueie artificialmente o disco solar para que o outro possa estudar a coroa solar.

Durante o eclipse de 12 de agosto, aconteceu algo particularmente raro. Enquanto a Lua passava diante do Sol, o Occulter da Proba 3 bloqueava também o disco solar para o segundo satélite.

O resultado foi uma espécie de duplo eclipse, combinando o fenómeno natural provocado pela Lua com o eclipse artificial criado pela própria missão.

Dessa forma, a configuração da Proba 3 permitiu observar o eclipse natural ao mesmo tempo que o sistema da missão reproduzia uma ocultação artificial do Sol.

Crédito da imagem: ESA/Proba-3/ASPIICS sob licença CC BY-SA 3.0 IGO, alterações feitas no Canva por Anthony Wood, via Space.com

A ISS também acompanhou o fenómeno

A Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS) esteve igualmente na posição certa para observar o eclipse. A astronauta da NASA Jessica Meir registou imagens a partir do segmento russo da ISS.

No entanto, a localização da estação não permitiu observar a totalidade. O eclipse visto da ISS foi parcial, com o máximo a atingir cerca de 18% de cobertura do disco solar.

Também a partir da Terra surgiram imagens impressionantes. O fotógrafo Joel Kowsky conseguiu captar a ISS a passar diante do Sol aquando do eclipse, nos céus de Hodgdon, no Maine, criando uma imagem particularmente invulgar do momento.

Este GIF mostra a silhueta da ISS a mover-se pela face do Sol durante o eclipse solar de 12 de agosto de 2026. Crédito: Joel Kowsky/NASA

Este GIF mostra a silhueta da ISS a mover-se pela face do Sol durante o eclipse solar de 12 de agosto de 2026. Crédito: Joel Kowsky/NASA

A sombra da Lua vista sobre a Terra

Talvez as imagens que melhor demonstrem a dimensão do eclipse tenham vindo dos satélites meteorológicos. O Meteosat Third Generation Imager, da ESA, situado a cerca de 36.000 quilómetros da superfície terrestre, conseguiu acompanhar a sombra da Lua enquanto esta avançava sobre a Europa.

Nas imagens, é possível observar a sombra a deslocar-se sobre a superfície do planeta e a encontrar o terminador, a fronteira entre a região iluminada e a região noturna da Terra. Vista desta distância, a eclipse deixa de parecer um fenómeno localizado e transforma-se numa enorme sombra em movimento sobre o planeta.

O satélite GOES 19, da NOAA, também registou a sombra lunar a partir da sua órbita geoestacionária, contribuindo para esta coleção de perspetivas únicas do eclipse de 12 de agosto.

De facto, o espetáculo ganha uma dimensão ainda maior quando visto do espaço, com a sombra da Lua a tornar-se visível sobre a superfície terrestre, mostrando de uma forma particularmente impressionante a escala do alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra.

 

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