O mais recente relatório Brand Finance Football 50 2026 coloca o futebol português em destaque no panorama global. Longe de ser apenas um exportador de talento, Portugal consolida-se como um centro de excelência na gestão de marcas, com o Sporting a ascender ao top-20 dos clubes mais valiosos e o FC Porto a liderar o crescimento mundial em força de marca.

Sporting é o clube português mais valioso

Avaliado em 250 milhões de euros, o Sporting destaca-se como o clube português mais valioso. A marca leonina disparou 35 por cento no seu valor financeiro, um feito que permitiu não só ultrapassar o Benfica, como garantir um lugar de no top-20 do ranking mundial (19.º).

Este sucesso comercial é impulsionado por uma forte época desportiva — assinalada pelo segundo lugar na Liga e pela chegada aos quartos de final da Liga dos Campeões em 2025/26 — bem como por movimentos recorde no mercado, nomeadamente a transferência de Viktor Gyökeres para o Arsenal.

Logo a seguir aos leões, o Benfica confirma a sua enorme solidez comercial ao posicionar-se num honroso 22.º lugar mundial. Com uma avaliação de 219 milhões de euros e um crescimento sustentado de 15,4 por cento, o clube encarnado mantém-se como uma «máquina comercial» altamente eficiente, alicerçada numa vasta base de adeptos global e em receitas operacionais recorrentes que garantem estabilidade à marca, independentemente das oscilações de mercado.

FC Porto lidera crescimento em força de marca

Se o Sporting lidera Portugal em valor de marca, é o FC Porto quem mais se destaca quando a análise passa para a força da marca. Os dragões alcançaram uma pontuação de 81,9 em 100.

O clube azul e branco foi o que mais cresceu no mundo no Brand Strength Index (BSI), indicador que avalia fatores como a relação com os adeptos, reputação, investimento em marketing e desempenho comercial.

A conquista da Liga 2025/26, o 31.º título da história do clube, e a consequente qualificação direta para a Liga dos Campeões foram os principais catalisadores desta evolução

O dado ganha ainda maior dimensão quando se olha para o conjunto do futebol português: os três grandes ocupam posições de destaque entre as marcas que mais cresceram em força. O FC Porto lidera a tabela, com Sporting (segundo) e Benfica (quarto)  também entre os primeiros lugares.

A marca dos azuis e brancos está agora avaliada em 192 milhões de euros, mais sete por cento do que no ano anterior, e ocupa o 25.º lugar no ranking mundial de valor de marca.

Real Madrid continua na liderança

No topo do futebol mundial, não há mudanças na liderança. O Real Madrid mantém-se como a marca de futebol mais valiosa do mundo pelo terceiro ano consecutivo. A marca dos merengues está avaliada em 2,4 mil milhões de euros, depois de uma valorização de aproximadamente 25 por cento face ao ano anterior.

O clube espanhol lidera também o ranking de força de marca, com um BSI de 95,8 pontos. A dimensão da base global de adeptos, a força histórica da marca e o potencial comercial associado ao renovado Santiago Bernabéu continuam a colocar o Real Madrid numa posição de destaque.

O Barcelona ocupa o segundo lugar, com uma avaliação de dois mil milhões de euros, enquanto o Arsenal surge no terceiro posto, avaliado em 1,5 mil milhões.

Brasil é exceção fora da Europa

O Brasil é o único mercado fora da Europa a colocar clubes no top-50 das marcas de futebol mais valiosas do mundo, com Flamengo, de Leonardo Jardim, e Palmeiras, liderado pelo português Abel Ferreira, nos 32.º e 49.º lugares, respetivamente.

O Flamengo é a grande referência brasileira. A marca do clube carioca valorizou 42 por cento, para 155 milhões de euros, e é também a mais forte do país, com um Brand Strength Index (BSI) de 76,9. Logo a seguir surge o Palmeiras, que entra pela primeira vez no top-50, com um valor de 91 milhões, e verifica um BSI de 64.3.

A que se deve este crescimento? A um momento de forte transformação do futebol brasileiro, em que a profissionalização da gestão, com o modelo de Sociedade Anónima do Futebol (SAF) facilita a entrada de investimento externo e a adoção de estruturas mais profissionais.

Emergência do futebol na Arábia Saudita

O domínio dos gigantes europeus continua evidente no topo do futebol mundial, mas o mapa das grandes marcas está a mudar. Também fora da Europa, a Arábia Saudita é um dos mercados que mais tem procurado aproximar-se da elite, usando o investimento, a contratação de estrelas, como é o caso de Cristiano Ronaldo, e a expansão internacional da Saudi Pro League para construir marcas com alcance global.

No atual ranking de força de marca, o Al Hilal, de Rúben Neves, lidera entre os clubes sauditas, com um BSI de 80,4, seguido do Al Nassr, de Ronaldo, João Félix e, mais recentemente, Samú Costa, com 79,8. A proximidade entre os dois emblemas mostra a força que os grandes investimentos trouxeram ao futebol saudita.

O Al Ahli e o Al Ittihad completam o grupo dos quatro clubes que continuam a concentrar grande parte da força comercial da Saudi Pro League.

A estratégia entra agora numa nova fase: depois de captar alguns dos maiores nomes do futebol mundial, o objetivo passa por transformar essa exposição em força de marca e valor comercial duradouro. Uma espécie de íman para as audiências, patrocínios e visibilidade mediática.