A bolsa norte-americana fechou a penúltima sessão da semana com quebras, à medida que o agravamento dos juros da dívida dos Estados Unidos – que atingiu esta semana o patamar dos 40 biliões de dólares (cerca de 34 biliões de euros) – demonstrou que os investidores continuam preocupados com eventuais crises inflacionistas prolongadas.
Isto mesmo depois de o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, ter anunciado que o reforço da recompra de obrigações de longo prazo vai ser ainda maior do que o anunciado na quarta-feira, podendo ultrapassar os 4 mil milhões de dólares (cerca de 3,4 mil milhões de euros) por emissão. Bessent minimizou, no entanto, os movimentos do mercado desta quinta-feira, dizendo que “tudo o que acontece num período de 24 horas é ruído”, e os juros a 30 anos acabaram por subir.
Assim, o S&P 500 chegou ao fim do dia com recuos de 0,86%, nos 7.641,64 pontos, e o Nasdaq Composite retrocedeu 1%, aterrando nos 26.067,17 pontos. O Dow Jones, por sua vez, caiu 1,32%, situando-se nos 52.759,21 pontos.
Em termos empresariais, o destaque vai para a Walmart, que fechou a sessão com uma queda de 9,15%, depois de ter divulgado resultados do segundo trimestre abaixo das estimativas, chegando a cair 10% durante o dia, a maior queda desde maio de 2022. As retalhistas Target (-0,49%) e Dollar General (-1,41%) também fecharam a perder.
Noutras movimentações de ações individuais, a SpaceX de Elon Musk desvalorizou 4,05% no dia em que expirou o segundo período de “lockup”, colocando 319 milhões de ações à venda no mercado, e as ações da Moderna recuaram 23,55% após terem crescido quase 177% na quarta-feira com notícias positivas sobre uma vacina contra o melanoma. Já a Advanced Auto Parts despenhou-se 24,60% após divulgar receitas do segundo trimestre abaixo das estimativas.
“Quase parecia que os investidores estavam à espera que os comentários de Bessent ajudassem a inverter a descida das taxas de juro que se verificou ontem”, disse Matt Maley, estratega-chefe de mercado na Miller Tabak, citado pela Bloomberg. “Quando esses comentários não foram suficientes para compensar a nova subida do petróleo, os investidores começaram a vender”, acrescentou.
O petróleo Brent – referência para a Europa – chegou a estar a subir 3,4%, para perto dos 95 dólares por barril, o valor mais alto em quase quatro semanas, depois de o Presidente Donald Trump ter ameaçado o Irão com uma “guerra económica” e ter dito que o país não aceitou um acordo de paz.
Os investidores olham agora para o discurso do presidente da Reserva Federal (Fed), Kevin Warsh, na reunião sobre política económica de Jackson Hole, na próxima semana, em busca de pistas sobre o rumo das taxas de juro. “Vamos precisar de uma retórica muito forte de que se vão cortar taxas, algo vindo de Warsh, ou então isto vai esvanecer-se rapidamente”, disse Peter Tchir, responsável de estratégia macro na Academy Securities, à Bloomberg Television.