A propagação do vírus parece não abrandar e o vice-coordenador dos Médicos Sem Fronteiras traça um cenário de equipas que, no terreno, já atingiram um limite. Eddy Kambale fala também de populações que não têm seguido os protocolos, com os pacientes a chegarem “muito atrasados para as consultas” e condições que são “simplesmente inadequadas”.
A juntar às condições precárias em que trabalham os médicos e enfermeiros, relata “ataques de segurança contra centros de tratamento”, o que também afeta a situação e favorece a propagação do vírus. “Há pacientes que testaram positivo ou apresentam sintomas enquanto aguardam resultados laboratoriais” e “veem-se forçados a fugir dos centros de tratamento e a procurar refúgio na comunidade”, descreve Eddy Kambale à RTP Antena 1, e conclui: “Isso cria novos focos de transmissão”.

O responsável lamenta também a falta de condições dos técnicos de saúde, com salários em atraso há muitos meses. “As autoridades garantem que os atrasos nos pagamentos não estão ligados à falta de financiamento e que medidas corretivas estão a ser implementadas”, afirma, mas “isto não está a ser levado em consideração porque estamos longe, no momento, de conter a epidemia e pode continuar-se a expandir”.
Eddy Kambale defende que são precisos mais recursos para ampliar a resposta, pois nem todas as áreas estão a ser “totalmente cobertas”. A 17ª epidemia de ébola na República Democrática do Congo tornou-se, no final de julho, a maior de sempre registada no país no número de casos: já ultrapassou a barreira dos 5 mil casos. O último balanço, com base em dados até 18 de agosto, aponta para 2476 mortes, ultrapassando o anterior surto mais grave, ocorrido entre 2018 e 2020.
com Gonçalo Costa Martins (texto) – RTP Antena 1