Ron Lach / Pexels

Um novo estudo encontrou uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas e um maior risco de desenvolver cancro gástrico.

Os participantes que consumiam pelo menos uma porção de uma bebida açucarada por dia apresentaram um risco cerca de 2,45 vezes superior ao daqueles que consumiam este tipo de bebida menos de uma vez por mês.

Num novo estudo, publicado este mês no Gastro Hep Advances, os investigadores analisaram dados relativos à saúde e ao estilo de vida de 112.284 participantes acompanhados ao longo de várias décadas, tendo sido registados 278 casos de cancro gástrico durante o período de acompanhamento.

Os investigadores utilizaram dados provenientes de estudos prospetivos de saúde e analisaram a alimentação, os hábitos de vida, o historial médico e outros fatores de risco dos participantes.

A associação foi observada tanto nos homens como nas mulheres. Entre as mulheres que consumiam mais de uma bebida açucarada por dia, o risco de cancro gástrico foi aproximadamente três vezes superior ao das mulheres que raramente consumiam estas bebidas. Nos homens, a associação também apontou para um risco aproximadamente duas vezes superior nos níveis mais elevados de consumo.

Segundo o ScienceAlert, este estudo não demonstra, contudo, uma relação linear segundo a qual cada bebida açucarada adicional aumentaria progressivamente o risco.

O aumento mais evidente foi observado entre os participantes com consumo superior a uma bebida por dia, enquanto os níveis de consumo inferiores não apresentaram o mesmo padrão de associação. Por isso, os resultados não devem ser interpretados como significando que beber uma única bebida açucarada por dia provoque, por si só, um aumento de 2,45 vezes no risco de cancro gástrico.

Os investigadores também analisaram as bebidas artificialmente adoçadas. Neste estudo, não encontraram uma associação estatisticamente significativa entre o consumo destas bebidas e a incidência de cancro gástrico.

Este resultado não significa, contudo, que os adoçantes artificiais tenham sido demonstrados como isentos de riscos para a saúde. Significa apenas que não foi observada uma associação com este tipo de cancro nesta análise.

Uma das limitações do estudo dizem respeito à informação disponível sobre a infeção por Helicobacter pylori, uma bactéria que coloniza o estômago e constitui um conhecido fator de risco conhecido para o cancro gástrico.

Os dados sobre esta infeção estavam disponíveis apenas para uma pequena parte dos participantes, o que dificultou a avaliação completa do seu possível efeito sobre os resultados. Também existiam limitações relativamente a alguns dados sobre o historial médico e familiar de cancro gástrico.

Os mecanismos através dos quais as bebidas açucaradas poderiam estar relacionados com o desenvolvimento de cancro gástrico não foram determinados pelo estudo.

Assim, a principal conclusão do estudo é que o consumo elevado de bebidas açucaradas esteve associado a um maior risco de cancro gástrico, e não que estas bebidas tenham sido demonstradas como uma causa direta da doença.

São necessários estudos adicionais, idealmente com diferentes populações e métodos complementares, para confirmar a associação e determinar se existe efetivamente uma relação causal.