Bob’s Watches / Rolex

Relógio Rolex Oyster Perpetual “Celebration”

A nova geração de réplicas de luxo já copia relógios de centenas de milhares de euros com um nível de detalhe capaz de iludir numa inspeção casual. Só uma análise especializada continua a revelar os sinais da falsificação.

Um Rolex falso comprado por 498 dólares, cerca de 425 euros, passou pelas mãos de vários funcionários da principal loja da marca em Londres sem levantar suspeitas.

A experiência, reportada esta quarta-feira pela Wired, mostra até onde chegou a nova geração de réplicas de luxo, os chamados “super clones“.

O relógio era um Oyster Perpetual “Celebration”. Um jornalista entrou na loja da Rolex em Old Bond Street e pediu apenas que lhe encurtassem a bracelete.

A peça foi levada para a área de assistência, onde vários funcionários a examinaram antes de retirarem alguns elos. No fim, um vendedor devolveu-a ajustada e felicitou o cliente pelo relógio.

Não foi uma autenticação; foi uma operação de manutenção simples.

A distinção é importante: no programa oficial de relógios usados da Rolex, as peças regressam às oficinas da marca, onde são desmontadas e verificadas antes de serem certificadas como autênticas.

A Wired tinha comprado três réplicas pela Internet: o Celebration, um Submariner por 438 dólares e um Daytona por 768. O contacto com o vendedor foi feito pelo WhatsApp, o pagamento em USDT e os relógios vieram de fábricas chinesas.

Antes do envio, ainda passaram por outro “controlo de qualidade”.

Em comunidades do Reddit dedicadas a réplicas, compradores publicam fotografias dos relógios e pedem a outros utilizadores que examinem índices, mostrador, bisel ou bracelete.

As melhores cópias chegam a receber a classificação “NWBIG“, de “Not Worth Buying in Gen”: para esses utilizadores, são tão próximas do original que não compensaria comprar o genuíno.

As três peças receberam luz verde.

Mas o sistema não apanhou um problema bem mais básico. A Wired pediu um Oyster Perpetual de 36 mm e recebeu um de 41 mm. O vendedor não aceitou a devolução nem a troca. Ofereceu um desconto numa compra futura.

À vista, as cópias convenciam. Com uma lupa, menos.

Adrian Hailwood, especialista em autenticação de relógios, encontrou parafusos mal acabados, metal pouco polido, erros no material luminescente e pequenos defeitos no bisel. Ao abrir um dos relógios, encontrou ainda um mecanismo com um sistema que a Rolex deixou de usar em 1957.

Mesmo essa pista pode estar a desaparecer.

Segundo Hailwood, fabricantes de réplicas já começaram a usar movimentos mais sofisticados, eliminando alguns dos sinais que antes denunciavam uma falsificação.

Há muito dinheiro neste mercado: a OCDE estima que o comércio mundial de produtos contrafeitos atingiu 467 mil milhões de dólares em 2021, 2,3% das importações globais. Só os relógios falsos que infringiam marcas suíças valeram cerca de 1,88 mil milhões de dólares.

O Rolex de 498 dólares tinha falhas. Mas saiu da loja da Rolex com a bracelete ajustada, e nenhum dos funcionários que o manuseou percebeu que era falso.