(dr) Moderna

Ensaio clínico promissor: tratamento individualizado com mRNA impediu o regresso e travou a propagação do melanoma.

“Momento histórico” ou pelo menos “muito promissor”. É o que se lê pela imprensa internacional, e dentro do sector da saúde: uma vacina contra o cancro atingiu os seus principais objectivos num ensaio clínico de fase 3.

A vacina foi desenvolvida contra o melanoma, um tipo de cancro de pele que tem origem nos melanócitos, as células da pele produtoras de pigmento.

Foi desenvolvida pela Moderna e pela Merck & Co., as duas empresas que, em comunicado, revelaram nesta quarta-feira: “Trata-se do primeiro anúncio de resultados positivos da fase 3 (…) para uma terapia anticancerígena à base de ARNm [ARN mensageiro]”.

A vacina ajudou a retardar a recorrência da doença em pessoas com melanoma (em estado avançado e que tinham sido operadas) e impediu a sua propagação após a cirurgia. Ou seja, impediu o regresso do cancro.

Monitores de dados independentes acrescentaram que a vacina contra o cancro combinada com a imunoterapia Keytruda, da Merck, apresentou “melhorias estatisticamente significativas e clinicamente relevantes” em comparação com o Keytruda isoladamente.

A vacina foi criada a partir de mutações genéticas específicas do tumor de cada doente. Tenta activar o sistema imunitário do doente para que reconheça e ataque as células cancerígenas.

Combinada com imunoterapia, a base desta terapia é a tecnologia ARNm: instruir as células do corpo a fabricarem proteínas capazes de desencadear uma resposta imunitária.

É uma “terapia neoantigénica individualizada experimental combinada com imunoterapia para determinados doentes com melanoma em estádio IIB-IV completamente ressecado”, explicam as empresas.

O estudo foi considerado um sucesso. Mas as empresas não divulgaram dados detalhados sobre esta análise que envolveu mais de 1.100 pessoas; devem revelar num congresso médico, num futuro próximo.

Depois desta fase 3, que testa a eficácia e a segurança, o que se deve seguir são os pedidos de autorização para começar a vender a vacina.

As acções da Moderna mais do que duplicaram após o anúncio.

As duas empresas – Moderna e Merck & Co. – estão também a testar o tratamento contra o cancro do pulmão, rim e bexiga.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //