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Marcos Rodríguez Pantoja, o “Menino Lobo”
Abandonado em criança e criado durante anos entre animais selvagens na Serra Morena, Marcos Rodríguez tornou-se um caso raro de sobrevivência fora da sociedade. A difícil readaptação ao convívio humano marcou o resto da sua vida.
Morreu Marcos Rodríguez, conhecido como o “menino-lobo da Serra Morena”, passou mais de 12 anos da infância e juventude a viver com uma alcateia na Serra Morena.
Depois da morte da mãe, o pai de Rodríguez foi viver com outra mulher e vendeu o menino a um pastor de cabras quando este tinha apenas seis anos.
Natural de Añora, em Córdova, vivia num lar em San Ciprián de Viñas, Rante. Tinha 80 anos.
A sua história ficou marcada por uma infância muito dura.
Depois da morte da mãe, o pai foi viver com outra mulher e, quando Marcos tinha seis anos, vendeu-o a um pastor de cabras na Serra Morena. O pastor, que se tornou a sua única referência familiar, ensinou-o a sobreviver na montanha e a aproveitar os recursos disponíveis.
Quando o pastor morreu, Marcos já tinha aprendido a sobreviver sozinho, e acabou por se adaptar a uma vida sem contacto humano regular.
Viveu com lobos e outros animais, e essa experiência levou-o a desenvolver formas de comunicação baseadas em sons e uivos. Acabou por ser encontrado pela Guardia Civil e passou por um processo de integração na vida convencional, uma readaptação que não foi fácil.
A experiência que teve depois com outras pessoas também ficou marcada por maus-tratos, enganos e abusos, o que reforçou a sua desconfiança em relação aos seres humanos.
O seu caso tornou-se objeto de estudo antropológico, conta o The Objective.
O antropólogo Gabriel Janer Manila, da Universidade das Baleares, fez uma tese de doutoramento sobre a sua história e mais tarde levou-a ao livro He jugado con lobos.
A sua vida também foi adaptada ao cinema no filme Entrelobos, realizado por Gerardo Olivares e estreado em 2010. Marcos participou nas filmagens, por ser quem melhor podia orientar a interpretação da sua própria história.
Encontrou o seu lugar na aldeia de Rante, em Ourense, e aí visitava escolas, acampamentos e outros espaços para contar a sua experiência de vida.
O “menino-lobo da Serra Morena” morreu no passado sábado, em Ourense. Os amigos despediram-se dele este domingo, em Rante.