Durante anos, a Medicina Estética viveu associada a excessos, rostos padronizados e transformações demasiado evidentes. Hoje, o paradigma parece estar a mudar. Os pacientes chegam mais informados, procuram resultados discretos e valorizam cada vez mais uma abordagem individual, capaz de respeitar os traços, a expressão e o processo de envelhecimento de cada pessoa.

Para a Dra. Sofia Sousa, médica de Cirurgia Geral e Diretora Clínica da NewAge Clinic, esta evolução representa também uma maior maturidade da própria especialidade. O diagnóstico tornou-se tão ou mais importante do que o procedimento, a prevenção ganhou espaço e saber quando não intervir passou a fazer parte de uma prática médica responsável. Nesta entrevista concedida em exclusivo à SELFIE, falamos sobre a nova definição de beleza, o fim dos excessos, os tratamentos que quase ninguém nota e o futuro de uma Medicina Estética cada vez mais subtil, regenerativa e personalizada.

Sente que hoje as pessoas procuram uma versão melhor de si mesmas, em vez de uma transformação radical?
Sem dúvida. A procura atual em Medicina Estética reflete uma evolução na forma como a própria especialidade é entendida e praticada. Hoje, o objetivo já não passa por promover transformações evidentes, mas por preservar a identidade facial, respeitar as características individuais e acompanhar o processo natural de envelhecimento de forma equilibrada. Esta mudança é sustentada por uma melhor compreensão da anatomia facial e do envelhecimento que permitiu desenvolver abordagens mais precisas e personalizadas. Em vez de corrigir apenas um sinal isolado, procura-se restabelecer a harmonia global do rosto, respeitando as suas proporções e expressão natural. Por isso, cada vez mais pessoas procuram resultados discretos e naturais, que valorizem a sua melhor versão e permitam que a imagem exterior reflita, de forma autêntica, a forma como se sentem.

Genericamente, o conceito de beleza mudou muito nos últimos anos? Como encara a mudança? A que acha que se deve?
O conceito de beleza tem, de facto, evoluído bastante nos últimos anos. Existe uma valorização crescente da naturalidade, da autenticidade e da individualidade e, simultaneamente, estamos a afastar-nos da ideia de uma beleza padronizada e a reconhecer que cada pessoa tem características únicas que merecem ser preservadas e valorizadas. Vejo esta mudança de forma muito positiva. Acredito que resulta de uma maior consciência sobre o bem-estar e a autoestima, bem como de uma abordagem mais informada, em que o objetivo é realçar a beleza de cada pessoa e não transformá-la.

 

“A verdadeira tendência é parecer naturalmente bem, sem que seja evidente o procedimento realizado, valorizando a individualidade de cada pessoa em vez de seguir padrões.”

 

Os excessos estão oficialmente fora de moda?
Acredito que sim. Felizmente, assistimos a uma mudança muito significativa na forma como a Medicina Estética é encarada. Hoje, os pacientes estão mais informados e procuram resultados naturais, harmoniosos e discretos, que respeitem as suas características e preservem a sua identidade. O excesso está, cada vez mais, a perder espaço para uma abordagem mais equilibrada e personalizada. A verdadeira tendência é parecer naturalmente bem, sem que seja evidente o procedimento realizado, valorizando a individualidade de cada pessoa em vez de seguir padrões.

 

“Na Medicina Estética, um bom resultado não é aquele que se nota. É aquele que faz a pessoa sentir-se melhor, mantendo-se genuinamente ela própria.”

 

O que significa, na prática, um resultado natural? Há erros muito comuns que comprometem a naturalidade?
Um resultado natural é aquele em que a pessoa continua a reconhecer-se ao espelho. O objetivo não é alterar a identidade de um rosto, mas preservar as suas características, respeitar as suas proporções e valorizar aquilo que o torna único. Quando um tratamento é bem planeado e corretamente executado, o mais comum é que comentem que a pessoa parece mais descansada, mais luminosa ou com um aspeto mais saudável, sem conseguirem identificar exatamente o que mudou. Esse é, para mim, um dos maiores indicadores de sucesso. Os resultados menos naturais surgem, muitas vezes, quando se procura corrigir uma única característica de forma isolada, quando se exageram volumes ou quando não se respeita a anatomia, a expressão e a dinâmica facial de cada pessoa. A naturalidade exige conhecimento profundo da anatomia, capacidade de diagnóstico e uma abordagem personalizada. Mais do que saber realizar um procedimento, é fundamental saber quando o fazer, como o fazer e, muitas vezes, quando não o fazer. Porque, na Medicina Estética, um bom resultado não é aquele que se nota. É aquele que faz a pessoa sentir-se melhor, mantendo-se genuinamente ela própria.

Há procedimentos que fazem muita diferença mas que quase ninguém nota?
Sim. Aliás, são muitas vezes esses os procedimentos que fazem verdadeiramente a diferença. Nem todos os tratamentos têm como objetivo criar uma mudança evidente. Muitos procuram melhorar a qualidade da pele, estimular a produção de colagénio, restaurar a hidratação, devolver luminosidade ou suavizar sinais de cansaço, preservando sempre a naturalidade da expressão. São melhorias subtis que, isoladamente, podem parecer discretas, mas que, em conjunto, contribuem para um rosto mais fresco, equilibrado e saudável, sem que a identidade da pessoa seja alterada. Na minha perspetiva, esse é o verdadeiro objetivo da Medicina Estética. Quando um tratamento está bem indicado e corretamente executado, as pessoas reparam que o paciente está com um ótimo aspeto, mais descansado ou mais luminoso, mas dificilmente conseguem identificar o que foi feito. Esse é, muitas vezes, o maior elogio que podemos receber enquanto médicos.

 

“O objetivo deixou de ser criar rostos padronizados. Hoje, procuramos preservar aquilo que torna cada pessoa única, valorizando os seus traços de forma harmoniosa, equilibrada e natural.”

 

Existe uma maior preocupação em respeitar a identidade de cada pessoa?
Sem dúvida. A Medicina Estética evoluiu no sentido de compreender que não existem rostos “ideais” ou soluções universais. Cada rosto tem características anatómicas, proporções, expressões e um processo de envelhecimento próprios, que devem ser respeitados. Por isso, a abordagem atual é cada vez mais personalizada. Antes de qualquer procedimento, é fundamental compreender a anatomia do paciente, a forma como o seu rosto envelheceu e quais são as suas expetativas. Só assim é possível definir um plano que valorize os seus traços sem comprometer a sua identidade. O objetivo deixou de ser criar rostos padronizados. Hoje, procuramos preservar aquilo que torna cada pessoa única, valorizando os seus traços de forma harmoniosa, equilibrada e natural. Na minha perspetiva, um dos maiores elogios que um paciente pode receber é ouvir que está com um aspeto mais descansado, mais saudável ou mais luminoso, sem que ninguém consiga identificar exatamente o motivo. É isso que traduz um resultado verdadeiramente natural.

Acredita que estamos finalmente numa fase em que a beleza é mais individual e menos padronizada?
Acredito que estamos a caminhar para uma visão da beleza cada vez mais autêntica e menos padronizada, e considero que essa é uma evolução muito positiva. Hoje, existe uma maior valorização da identidade de cada pessoa, o que se reflete também na forma como a Medicina Estética é praticada. Sabemos que não existem soluções universais. Cada rosto, cada pele e cada processo de envelhecimento são diferentes, pelo que cada plano de tratamentos deve ser pensado de forma personalizada. O objetivo é realçar a beleza natural de cada pessoa, respeitando as suas características e promovendo resultados equilibrados, naturais e duradouros.

Já não existem “tratamentos standard” iguais para toda a gente?
A Medicina Estética evoluiu precisamente no sentido oposto aos tratamentos padronizados. Hoje, sabemos que não existem dois rostos iguais, nem dois processos de envelhecimento idênticos. Cada pessoa apresenta características anatómicas próprias, envelhece de forma diferente e tem expetativas e objetivos específicos. Por isso, deixou de fazer sentido falar em tratamentos padronizados ou em soluções universais. O ponto de partida deve ser sempre uma avaliação médica detalhada, que permita compreender as necessidades de cada paciente e definir um plano de tratamentos verdadeiramente individualizado. Mais do que tratar uma ruga, um volume ou uma flacidez de forma isolada, procuramos compreender o rosto como um todo e intervir de forma integrada. É esta abordagem personalizada que permite alcançar resultados mais harmoniosos, naturais e duradouros.

 

“Um bom resultado começa muito antes do primeiro procedimento. Começa com um diagnóstico rigoroso e com um plano de tratamento verdadeiramente personalizado.”

 

O diagnóstico individual é hoje mais importante do que o próprio procedimento?
Sem dúvida. Na minha perspetiva, o diagnóstico individual é a etapa mais importante de todo o processo. Antes de pensar em qualquer procedimento, é fundamental compreender a pessoa como um todo: a sua anatomia, a qualidade da pele, a forma como o rosto envelheceu, o seu historial clínico, as suas preocupações e as expetativas que tem em relação ao tratamento. É precisamente esse o objetivo da consulta de avaliação na minha clínica. Mais do que decidir que procedimento realizar, é o momento em que ouvimos o paciente, fazemos uma avaliação clínica detalhada e definimos, de forma rigorosa, se existe indicação para tratamento e qual a abordagem mais adequada. Na NewAge Clinic, acreditamos que um bom resultado começa muito antes do primeiro procedimento. Começa com um diagnóstico rigoroso e com um plano de tratamento verdadeiramente personalizado. Muitas vezes, o sucesso de um tratamento depende menos da técnica utilizada e mais da qualidade da avaliação que a antecede. Porque só um diagnóstico correto permite tomar as decisões certas e alcançar resultados naturais, seguros e duradouros.

 

“A Medicina Estética deve valorizar a pessoa, nunca sobrepor-se a ela.”

 

Como é que se encontra o equilíbrio entre melhorar a aparência sem descaracterizar o rosto?
O equilíbrio resulta, acima de tudo, do critério clínico. Nem tudo o que é possível fazer é, necessariamente, aquilo que deve ser feito. Saber selecionar os procedimentos mais adequados e definir até onde faz sentido intervir é tão importante como dominar a técnica. Na Medicina Estética, cada intervenção deve acrescentar valor ao conjunto, sem se tornar o elemento que mais chama a atenção. Quando um procedimento é mais evidente do que a própria pessoa, é sinal de que esse equilíbrio foi ultrapassado. Na minha perspetiva, um bom resultado é aquele em que continuamos a reconhecer o rosto, a sua expressão e a sua identidade. A Medicina Estética deve valorizar a pessoa, nunca sobrepor-se a ela.

Qual foi a maior mudança que viu no comportamento dos pacientes nos últimos anos?
Atualmente, os pacientes chegam à consulta muito mais informados, conscientes e envolvidos no processo de decisão. Procuram compreender melhor os tratamentos disponíveis, colocam mais questões e valorizam uma abordagem personalizada, baseada no aconselhamento médico e em resultados naturais. Existe uma maior maturidade na forma como encaram a Medicina Estética, privilegiando decisões fundamentadas em vez de soluções rápidas ou tendências passageiras. As redes sociais continuam a ter influência, mas acredito que o seu impacto também evoluiu. Hoje, muitos pacientes chegam à consulta com mais informação, mas, também, com uma maior consciência de que aquilo que veem online nem sempre corresponde à realidade ou é clinicamente adequado. É, por isso, é cada vez menos frequente alguém querer reproduzir o rosto de uma figura pública ou o efeito de um filtro. A maioria procura sentir-se melhor consigo própria e valorizar a sua imagem, sem perder a identidade. É precisamente aí que o papel do médico se torna essencial. Cabe-nos esclarecer, contextualizar e transformar toda essa informação num plano de tratamento seguro, cientificamente fundamentado e verdadeiramente adaptado às características, expetativas e objetivos de cada paciente.

Como é que um médico gere expetativas pouco realistas?
Gerir expetativas é parte integrante da consulta de avaliação e começa, acima de tudo, por uma comunicação clara e honesta. É fundamental ouvir o paciente, compreender as suas motivações e explicar, de forma transparente, o que é possível alcançar e quais são os limites de cada tratamento. A Medicina Estética deve ter sempre uma abordagem responsável. Por vezes, o mais importante é saber dizer que determinado procedimento não é o mais indicado ou que determinada expetativa não é realista, colocando sempre o bem-estar do paciente em primeiro lugar.

 

“Dizer ‘não’ nem sempre é a resposta mais fácil, mas, às vezes, é a mais correta.”

 

Já aconteceu dizer “não” a um paciente?
Sim e considero que faz parte da minha responsabilidade enquanto médica. Há situações em que as expetativas do paciente não são compatíveis com aquilo que considero ser clinicamente adequado, seguro ou capaz de proporcionar um resultado equilibrado. Dizer “não” nem sempre é a resposta mais fácil, mas, às vezes, é a mais correta. A Medicina Estética exige critério e responsabilidade. A função do médico não é responder a todos os pedidos, mas ajudar cada paciente a tomar as melhores decisões para a sua saúde, para a sua imagem e para o seu bem-estar. Acredito que a relação de confiança também se constrói dessa forma: quando o paciente sabe que as recomendações são feitas com base no seu interesse e não na realização de um procedimento.

 

“Prevenção não significa começar cada vez mais cedo, mas, sim, começar no momento certo.”

 

Há uma geração mais nova a procurar tratamentos preventivos cada vez mais cedo?
É verdade que existe um interesse crescente das gerações mais jovens pelos cuidados com a pele e pela prevenção do envelhecimento. Vejo isso como um sinal positivo, porque demonstra uma maior preocupação com a saúde e a qualidade da pele. No entanto, prevenção não significa começar cada vez mais cedo, mas, sim, começar no momento certo. Nem todas as pessoas beneficiam dos mesmos cuidados na mesma idade. A decisão deve ser sempre individualizada e baseada nas características da pele, no estilo de vida, na predisposição genética e nos objetivos de cada pessoa. A prevenção faz sentido quando existe uma indicação clínica e um propósito bem definido. O objetivo não é tratar um problema que ainda não existe, mas preservar a qualidade da pele e retardar, de forma equilibrada e natural, os processos associados ao envelhecimento.

Não existe, portanto, uma idade ideal para começar cuidados de Medicina Estética?
Não existe uma idade ideal. A decisão de iniciar procedimentos estéticos depende das necessidades, das características e dos objetivos de cada pessoa, sempre com uma abordagem individualizada. Hoje, fala-se cada vez mais em prevenção e em envelhecer de forma saudável, privilegiando cuidados adequados a cada fase da vida. Mais do que a idade, o importante é saber quando determinado tratamento faz sentido para cada pessoa.

 

“Envelhecer bem não é tentar parar o tempo nem procurar um rosto que desafie a idade. É preservar a vitalidade, a expressão e a autenticidade, permitindo que cada pessoa continue a reconhecer-se em cada fase da sua vida.”

 

O envelhecimento preventivo é uma das maiores tendências do momento? Qual é o segredo para envelhecer bem hoje?
O envelhecimento preventivo é, sem dúvida, uma das grandes tendências da Medicina Estética atual. No entanto, mais do que prevenir o envelhecimento, acredito que o verdadeiro objetivo é envelhecer de forma saudável e equilibrada. Isso não significa começar tratamentos cada vez mais cedo, mas compreender que existem momentos em que pequenas intervenções podem ajudar a preservar a qualidade da pele e a retardar determinadas alterações de forma natural. Não existe uma fórmula única para envelhecer bem. O que existe é uma estratégia construída ao longo do tempo, adaptada à realidade de cada pessoa e sustentada por um conjunto de escolhas consistentes, como proteger a pele da radiação solar, adotar hábitos de vida saudáveis, cuidar da qualidade da pele e recorrer, quando existe indicação clínica, a tratamentos realizados com critério e no momento certo. Envelhecer bem não é tentar parar o tempo nem procurar um rosto que desafie a idade. É preservar a vitalidade, a expressão e a autenticidade, permitindo que cada pessoa continue a reconhecer-se em cada fase da sua vida.

Quais são os tratamentos mais procurados atualmente por quem quer resultados discretos?
Atualmente, os tratamentos mais procurados por quem privilegia resultados discretos são os que melhoram a qualidade da pele e promovem um rejuvenescimento progressivo e natural. O Laser Fotona, a toxina botulínica, o Ultraformer MPT e os bioestimuladores de colagénio, permitem obter resultados harmoniosos, sem alterar a expressão ou os traços do rosto. São procedimentos que atuam de forma subtil, estimulando os processos naturais da pele e proporcionando uma aparência mais cuidada, sem que o resultado seja evidente.

Qual é o maior mito sobre Medicina Estética?
Um dos maiores mitos é a ideia de que a Medicina Estética transforma rostos ou cria resultados artificiais. Quando bem indicada e realizada, o seu objetivo é precisamente o contrário: respeitar as características de cada pessoa e promover melhorias subtis que valorizam a sua aparência de forma natural. Essa perceção resulta, muitas vezes, de exemplos que não representam a realidade da prática clínica atual. Hoje, a Medicina Estética beneficia de um conhecimento muito mais aprofundado da anatomia facial e do processo de envelhecimento, permitindo definir tratamentos mais precisos, adequados às necessidades de cada pessoa e orientados para resultados equilibrados. Mais do que alterar a aparência, a Medicina Estética deve contribuir para que cada pessoa atravesse as diferentes fases da vida sentindo-se confortável com a sua imagem. Esse é, para mim, o verdadeiro propósito desta especialidade.

O que distingue um rosto harmonioso de um rosto “exagerado”?
Um rosto harmonioso é aquele em que existe equilíbrio entre as diferentes estruturas do rosto, respeitando as proporções, a expressão e as características únicas de cada pessoa. O objetivo não é eliminar todos os sinais do tempo, mas preservar a naturalidade e a identidade do rosto. O exagero surge, muitas vezes, quando se perde esse equilíbrio ou quando se procura corrigir em excesso uma determinada área, sem uma visão global do rosto. É por isso que uma abordagem criteriosa e personalizada faz toda a diferença.

Sente que hoje as pessoas querem parecer mais jovens… ou apenas mais saudáveis e descansadas?
Atualmente, sinto que o objetivo já não passa apenas por parecer mais jovem, mas por transmitir uma imagem mais saudável, cuidada e em sintonia com a forma como a pessoa se sente. Existe uma preocupação crescente em envelhecer bem, sem esconder os sinais naturais do envelhecimento. É precisamente essa mudança de perspetiva que tem vindo a redefinir a Medicina Estética: mais do que rejuvenescer, procura-se promover um envelhecimento saudável, preservando a qualidade da pele, a harmonia do rosto e a sua identidade.

O bem-estar e a autoestima estão cada vez mais ligados à medicina estética?
A Medicina Estética pode ter um impacto muito positivo no bem-estar e na autoestima, desde que seja encarada como uma forma de cuidar de si e não como uma resposta à procura de um ideal de perfeição. Quando existe equilíbrio entre a imagem que vemos ao espelho e a forma como nos sentimos, isso reflete-se naturalmente na confiança e no bem-estar. O mais importante é que qualquer tratamento contribua para que a pessoa se sinta melhor consigo própria, preservando sempre a sua autenticidade.

Os homens também procuram cada vez mais este tipo de tratamentos?
Temos assistido a um interesse crescente por parte do sexo masculino em cuidar da pele e prevenir os sinais de envelhecimento. A Medicina Estética já faz parte da rotina de muitos homens que procuram manter uma aparência saudável e cuidada, sem alterar a sua expressão ou as suas características. A procura continua a ser muito orientada para resultados discretos e naturais. O objetivo não é que os outros percebam que foi realizado um procedimento mas que a pessoa tenha uma imagem mais descansada, confiante e em sintonia consigo própria.

Há tendências atuais que acredita que daqui a uns anos vamos achar excessivas?
Ao longo dos anos, é natural que surjam tendências que refletem a forma como a beleza é entendida em cada momento e que algumas delas são, inevitavelmente, passageiras. Sempre que seguimos modas em vez de respeitar a individualidade, sabemos que existe o risco de os resultados perderem intemporalidade. Por isso, acredito que a verdadeira tendência é aquela que nunca sai de moda: uma abordagem equilibrada, personalizada e orientada para resultados naturais.

O skincare, o sono e a alimentação continuam a ser tão importantes quanto os tratamentos?
Sem dúvida. Os tratamentos não substituem um estilo de vida saudável, complementam-no. Os cuidados diários com a pele, uma alimentação equilibrada, um sono de qualidade e a proteção solar são fundamentais para manter a saúde da pele e potenciar os resultados. Acredito numa abordagem global, em que o bem-estar e a saúde caminham lado a lado com a Medicina Estética.

Existe algum procedimento que praticamente toda a gente faz… mas ninguém admite?
O tema da Medicina Estética tem vindo a ser desmistificado e as pessoas falam sobre estes cuidados com maior naturalidade. Ainda assim, há procedimentos, como a toxina botulínica, que são bastante mais comuns do que se imagina, precisamente porque, quando bem realizados, os resultados são discretos e naturais. Acredito que o mais importante deixou de ser “admitir” que se fez um procedimento. O foco está cada vez mais em cuidar de si de forma consciente, sem estigmas e com expetativas realistas.

Qual é o tratamento mais subestimado atualmente?
Diria que são os tratamentos que estimulam a regeneração natural da pele. Muitas vezes, não produzem uma mudança imediata, mas melhoram progressivamente a sua qualidade, firmeza e luminosidade, proporcionando resultados muito naturais e duradouros. Os bioestimuladores de colagénio e tecnologias como o Laser Fotona são bons exemplos dessa abordagem. Atuam na qualidade da pele e promovem um rejuvenescimento gradual, muitas vezes com um impacto maior do que é expectável.

O que nunca faria no seu próprio rosto?
Nunca faria um procedimento que comprometesse a naturalidade ou alterasse a minha expressão. Acredito que o envelhecimento deve ser acompanhado de forma equilibrada, respeitando sempre a identidade e individualidade de cada pessoa. Como médica, considero essencial que qualquer tratamento tenha uma indicação clara e um propósito bem definido.

 

“Mais do que transformar, o objetivo será sempre preservar. Preservar a qualidade da pele, a harmonia do rosto e a identidade de cada pessoa, recorrendo a abordagens mais precisas e adaptadas às necessidades individuais.”

 

Qual é o segredo para envelhecer bem hoje?
Preservar a qualidade da pele, a harmonia do rosto e a identidade de cada pessoa, recorrendo a abordagens mais precisas e adaptadas às necessidades individuais. O futuro da Medicina Estética passa por tratamentos cada vez mais personalizados, menos invasivos e orientados para a prevenção, privilegiando resultados progressivos e naturais. A evolução tecnológica tem permitido desenvolver procedimentos mais precisos, eficazes e com tempos de recuperação mais reduzidos, o que torna possível responder de forma cada vez mais individualizada às necessidades de cada paciente. Mais do que transformar, o objetivo será sempre preservar.

Daqui a 10 anos, como imagina a medicina estética?
Imagino a Medicina Estética cada vez mais integrada na medicina preventiva e na promoção da saúde e da longevidade. Existirá uma maior aposta em tratamentos regenerativos, suportados pela inovação científica e tecnológica, com abordagens cada vez mais precisas e menos invasivas. Mais do que acompanhar tendências, acredito que a Medicina Estética continuará a evoluir no sentido de cuidar da pessoa como um todo. O verdadeiro desafio será acompanhar cada paciente ao longo do seu processo de envelhecimento, promovendo a saúde, o bem-estar e a confiança, sempre com uma abordagem ética e responsável.