Durante a visita presidencial a Viana do Castelo, secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, aproveitou para pedir ao Presidente da República que interceda junto do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com vista a desbloquear temas estratégicos de mobilidade entre os dois países, nomeadamente a ligação ferroviária de alta velocidade (TGV).
O apelo surge num contexto em que o responsável considera que o relacionamento entre os governos de Portugal e Espanha atravessa “um momento muito complicado”.
Em declarações aos jornalistas, após uma audiência com o chefe de Estado na Câmara Municipal de Viana do Castelo, Xoan Mao justificou a iniciativa pela proximidade e boa sintonia institucional existente entre a Presidência portuguesa e o líder do executivo espanhol.
Embora reconheça que a gestão da ferrovia não recai no âmbito das competências executivas de Belém, o dirigente sustentou que “o Presidente da República Portuguesa sempre mostrou o seu apoio a Sánchez e Sánchez tem boa impressão dele”, considerando por isso que António José Seguro é quem tem capacidade de influenciar Madrid nesta matéria.
Na perspetiva do líder do Eixo Atlântico, a articulação política entre os dois países vizinhos perdeu dinamismo face a anos anteriores. “A relação entre o presidente do governo português e o presidente do governo espanhol não é má, mas é cordial e não avança tanto como avançava anteriormente”, sublinhou, exemplificando com posicionamentos de Lisboa perante a utilização de bases militares espanholas por meios norte-americanos ou a gestão de fluxos migratórios em Ceuta, onde a postura nacional divergiu do alinhamento verificado no mandato de António Costa.
A par do arrefecimento político global, Xoan Mao apontou dificuldades ao nível sectorial, afirmando que a relação entre os ministros com a pasta das Infraestruturas em Portugal e Espanha “não é uma relação porque não falam”. Essa quebra no diálogo terá mesmo conduzido à ausência inédita de temas relativos a obras públicas na agenda da mais recente cimeira ibérica, um cenário que o secretário-geral considera preocupante para o avanço de projetos estruturantes.
Questionado sobre as preocupações transmitidas na reunião, António José Seguro procurou desdramatizar o alcance da conversa: “Não se trata de queixas, trata-se de terem partilhado comigo aquilo que são as suas ambições, que naturalmente passa por uma ferrovia que ligue estas regiões do Eixo Atlântico e, designadamente, entre a Galiza e o norte de Portugal.”
Xoan Mao insistiu, por seu lado, que a concretização do TGV permanece como um “tema fulcral” para a competitividade regional, essencial para assegurar a continuidade do transporte e do desenvolvimento económico em toda a faixa atlântica da Península Ibérica.