As redes sociais têm várias funções na nossa vida. São uma fonte quase inesgotável de inspiração, permitem-nos contactar rapidamente com quem está do outro lado do mundo e, muitas vezes, dão-nos a conhecer histórias que provavelmente nunca chegariam até nós de outra forma. E, quando a informação vem de fontes seguras e credíveis, também podem ser uma importante ferramenta de aprendizagem.
Graças à internet, já conhecemos histórias impressionantes, como a das gémeas que ajudaram a mudar a medicina apenas com um abraço, a família que transformou contentores numa casa ou a mulher que vive numa antiga prisão abandonada.
Desta vez, damos-te a conhecer a história de Carolina Martins e, sobretudo, um alerta que nos fez pensar duas vezes antes de repetir um gesto que parece completamente inofensivo.
Carolina é criadora de conteúdos e fundadora da Elevarum, uma agência especializada em branding, posicionamento e construção de autoridade no LinkedIn para executivos e fundadores de empresas. Tornou-se também uma das figuras de maior destaque da plataforma e apresenta-se atualmente como “a mulher mais seguida do LinkedIn na América Latina”.
Entre conteúdos sobre carreira, liderança e posicionamento profissional, Carolina também vai abrindo espaço para partilhar episódios mais pessoais da sua vida. E foi precisamente isso que fez numa publicação recente, ao contar como perdeu cerca de 70% da visão do olho direito.
“Eu perdi 70% da visão fazendo algo que você faz todos os dias”, começou por escrever, deixando no ar uma pergunta que provavelmente levou muita gente a imaginar que o culpado seria o telemóvel, o computador ou até as muitas horas passadas em frente à televisão. Mas não.
Carolina explica que cresceu a fazer consultas de oftalmologia uma vez por ano, não tinha histórico familiar da doença e o seu grau de astigmatismo era baixo. Até que, em 2019, descobriu que tinha perdido cerca de 70% da visão do olho direito.
A causa estava relacionada com um hábito aparentemente banal: esfregar os olhos.
Carolina sofre de rinite e conta que, sempre que tinha crises, sentia muita comichão nos olhos. Durante anos, foi esfregando-os sem imaginar que aquele gesto poderia representar um risco e acabar por ter um impacto tão grande na sua vida.
Foi durante o acompanhamento oftalmológico que descobriu que tinha ceratocone, uma doença que provoca o afinamento e a alteração progressiva da forma da córnea, prejudicando a visão.
Nas fases iniciais, os sinais podem facilmente ser confundidos com outros problemas de visão. Carolina destaca sintomas como visão desfocada, dificuldade em ver à noite e alterações frequentes na graduação dos óculos. No seu caso, não sentia dor nem tinha qualquer sintoma que considerasse particularmente alarmante, o que tornou a descoberta ainda mais inesperada.
O hábito de esfregar os olhos com frequência e força é apontado como um dos fatores associados ao ceratocone, sobretudo em pessoas que sofrem de alergias e têm tendência para sentir comichão ocular. A doença também pode ter uma componente genética, embora Carolina explique que, no seu caso, não existia histórico familiar.
Quando progride sem tratamento, o ceratocone pode provocar uma perda significativa da visão e, nos casos mais graves, pode mesmo tornar necessário um transplante de córnea. Atualmente, existem tratamentos capazes de travar ou abrandar a progressão da doença, sendo o diagnóstico precoce especialmente importante.
Agora, anos depois, decidiu transformar a experiência num alerta para os milhares de pessoas que a acompanham e lembrar que até um gesto tão comum como esfregar os olhos deve merecer mais atenção e cuidado.