Tenho uma notícia boa e uma ruim.

A boa:

a próxima aventura single-player de Aloy continua nos planos da Guerrilla.

A ruim:

talvez dê tempo de você trocar de televisão, terminar o backlog, começar uma família, plantar uma árvore e explicar para seus filhos quem era Ted Faro antes de o jogo chegar.

Segundo informações de Jason Schreier, da Bloomberg, uma “equipe reduzida” vem planejando o próximo Horizon tradicional, mas o projeto ainda estaria a anos de ser concluído. A maior parte da Guerrilla passou os últimos anos dedicada a Horizon Hunters Gathering, o multiplayer cooperativo anunciado em fevereiro.

Então sim.

Aloy volta.

Só não pergunta quando.

Horizon 3 existe, mas ainda parece estar na fase “temos um documento”

Vale esclarecer uma coisa antes que apareça:

“HORIZON 3 CONFIRMADO PARA 2031 NO PS6 PRO MAX.”

Não.

A Guerrilla já havia dito oficialmente em 2023 que pretendia expandir o universo com “a próxima aventura de Aloy” e com seu projeto online. Portanto, uma continuação single-player não é invenção de fórum.

Mas não existe atualmente anúncio formal de título, data ou plataformas para aquilo que estamos chamando convenientemente de Horizon 3.

O relato mais recente é menos animador: enquanto quase todo o estúdio trabalhava no multiplayer, um grupo pequeno estaria apenas estruturando o próximo jogo principal.

Ou seja, provavelmente ainda estamos longe daquela fase gloriosa em que alguém sobe no palco, mostra três montanhas, um robô enorme e Aloy dizendo:

“Precisamos impedir isso.”

E tudo isso seria menos doloroso se Hunters Gathering estivesse voando

Aqui está a parte agridoce.

Eu não tenho problema nenhum com a Guerrilla fazendo multiplayer.

Os caras fizeram Killzone. Multiplayer faz parte da história do estúdio, e a própria equipe explicou que a ideia de caçar máquinas cooperativamente existe desde os primeiros conceitos de Horizon.

O problema é que Hunters Gathering aparentemente virou uma enorme prioridade e agora está sendo reformulado depois de feedback negativo nos testes privados.

Segundo o relatório da Bloomberg, a Guerrilla trabalha desde junho numa nova direção: menos live service, escopo bem menor, multiplayer cooperativo mais tradicional e inclusão de um modo história. O projeto não está cancelado, mas a equipe teria até dezembro para demonstrar progresso aos executivos.

Isso é que deixa gosto estranho.

Não é:

“Esperem Horizon 3 porque estamos fazendo este outro projeto incrível.”

É mais próximo de:

“Esperem Horizon 3 porque quase todo mundo estava fazendo este outro projeto que agora estamos refazendo.”

Ah.

Excelente.

Tudo conforme o plano.

Qual plano?

Não estrague a reunião fazendo perguntas.

A Sony tentou transformar estúdios single-player em fábrica de live service e a conta chegou

É difícil olhar para isso isoladamente.

A PlayStation passou os últimos anos investindo pesadamente em jogos como serviço, com resultados… variados.

Helldivers 2 virou um enorme sucesso.

Mas tivemos Concord, projetos multiplayer cancelados de franquias importantes e mudanças de estratégia em outras produções. O relatório mais recente sobre Hunters Gathering aparece justamente nesse contexto de revisão das ambições live service da Sony.

E aqui entra minha crítica.

Experimentar é saudável.

Estúdio não precisa produzir eternamente o mesmo jogo.

Mas Horizon Forbidden West saiu em 2022.

Burning Shores continuou a história em 2023, e a Guerrilla já falava publicamente naquele ano sobre a próxima aventura de Aloy.

Agora estamos em 2026 e descobrimos que essa continuação ainda está vários anos distante porque a maior parte do time estava concentrada em outro projeto.

Como fã, dá uma certa vontade de olhar para o calendário e dizer:

“Pessoal… talvez alguém pudesse ter deixado umas cinquenta pessoas fazendo o jogo da moça ruiva também?”

E Horizon não terminou exatamente com tudo resolvido

Esse não é um detalhe pequeno.

Sem entrar demais em spoiler, Forbidden West e Burning Shores deixam a história de Aloy claramente apontando para uma ameaça maior ainda por enfrentar.

Isso nunca pareceu uma série encerrada.

Então existe uma diferença importante entre esperar por uma continuação opcional e esperar pelo capítulo que deve concluir ou avançar uma história deliberadamente deixada em aberto.

Eu consigo esperar.

Já esperei Duke Nukem Forever.

Tenho treinamento.

Mas existe um limite entre suspense narrativo e Aloy virar patrimônio arqueológico junto com as máquinas.

Pode acabar sendo jogo de próxima geração

Naturalmente, a distância alimentou especulações de que o próximo Horizon possa acabar chegando já na geração do PlayStation 6.

É perfeitamente plausível se o projeto realmente estiver anos distante.

Mas atenção novamente:

isso é inferência, não anúncio da Sony.

Não existe plataforma confirmada nem data oficial.

Podemos chegar a um cenário curioso em que Zero Dawn começou no PS4, Forbidden West atravessou PS4 e PS5, e o terceiro capítulo aparece quando o PS5 já estiver contando histórias de guerra para os netos.

“Na minha época eu tinha SSD de 825 GB.”

“Vovô, senta.”

Talvez a reformulação de Hunters Gathering acabe ajudando Horizon 3

Aqui está o lado menos deprimente.

Se Hunters Gathering realmente diminuir de escopo e parte de sua equipe for realocada, é razoável imaginar que o projeto single-player possa receber mais gente.

O relatório diz justamente que vários desenvolvedores estão sendo movidos para outro projeto, embora não esteja confirmado publicamente que todos irão para a continuação de Aloy.

Então talvez a situação esteja mudando agora.

E isso pode ser bom para os dois jogos.

Um Hunters Gathering menor, mais focado, cooperativo e com história talvez seja muito mais interessante do que mais um serviço tentando ocupar permanentemente a vida de alguém.

E uma Guerrilla novamente colocando força num grande single-player?

Por mim, excelente.

Não preciso que Horizon vire emprego.

Já tenho um.

O problema nunca foi esperar. É saber por que estamos esperando

Jogos grandes levam tempo.

Muito tempo.

E prefiro esperar seis anos por um ótimo Horizon do que receber um terceiro capítulo montado às pressas porque uma planilha exige lançamento no trimestre.

Só que existe algo frustrante em saber que boa parte dessa espera não veio simplesmente da complexidade de Horizon 3.

Veio de prioridade.

Aloy ficou na fila enquanto a Guerrilla apostava pesadamente numa direção multiplayer que agora está sendo repensada.

Tomara que Hunters Gathering fique bom.

De verdade.

Tomara também que a equipe encontre finalmente a forma certa para o projeto.

Mas quem terminou Forbidden West há quatro anos esperando descobrir o que acontece depois pode lamentar um pouquinho.

A caçadora enfrentou dinossauro robô, inteligência artificial, corporação do apocalipse e rico imortal.

Sobreviveu a tudo.

Agora encara algo muito mais poderoso:

um projeto paralelo que pegou quase todo o orçamento e a equipe.

Contra esse chefe, nem Flecha Ácida resolve.