A duração da bateria continua a ser o grande fantasma que assombra quem pensa comprar um carro elétrico. Muitos condutores ainda temem que a autonomia caia a pique ao fim de poucos anos de utilização. No entanto, os dados práticos de milhares de viaturas no terreno mostram uma realidade bastante diferente daquela que a maioria imagina.
O ponto de viragem nos 90 mil quilómetros
A análise à perda de carga destes acumuladores comprova que o desgaste é muito menor do que o antecipado. Mesmo após dezenas de milhares de quilómetros na estrada, as quebras acentuadas de rendimento continuam a ser exceções raras e isoladas na indústria.
A perda de rendimento não segue uma linha reta ao longo do tempo de vida do automóvel. Nos primeiros anos, o impacto no dia a dia é praticamente nulo. A degradação ronda apenas 0,7 pontos percentuais a cada 10.000 quilómetros, o que permite chegar aos 80.000 quilómetros com mais de 94% da energia intacta.
O ritmo altera-se ligeiramente assim que a fasquia dos 90.000 quilómetros é ultrapassada. A partir desta marca, a descida de capacidade tende a acelerar um pouco mais com a idade da viatura. Ainda assim, a maior parte dos modelos em circulação mantém mais de 90% da capacidade original sem sobressaltos.
Baterias ultrapassam as promessas das marcas
Os valores apurados ficam bastante acima das garantias oferecidas pelos próprios fabricantes. O padrão do mercado cobre habitualmente oito anos ou 160.000 quilómetros para um patamar de 70% de capacidade. Na estrada, a durabilidade real dos módulos revela-se substancialmente superior a estas margens de segurança contratuais.
A gestão térmica inteligente e a eletrónica de controlo assumem aqui um papel decisivo. Fatores como a velocidade de carregamento habitual e a regularidade dos ciclos de carga continuam a pesar no desgaste, mas a tecnologia moderna protege a integridade das células contra o envelhecimento precoce.
No final, os números confirmam que o componente mais caro dos veículos elétricos tem capacidade para durar muito mais tempo do que aquilo que os céticos previam, desmistificando um dos maiores receios da mobilidade elétrica.

