O Grupo Geely, um dos poucos construtores chineses que não são pertença do Estado comunista, está já a proceder a testes finais das baterias com electrólito sólido, as há muito faladas baterias sólidas que prometem revolucionar os veículos eléctricos, mas tardam em aparecer. Prometendo menos preço e maior densidade energética — logo maior autonomia —, carregamentos mais rápidos e maior segurança, esta tecnologia é vista como o Santo Graal dos acumuladores. A Geely revelou estar em vias de validar as suas baterias sólidas, solução que irá chegar ao mercado já em 2027 através das marcas do grupo, entre as quais a Volvo, que poderá passar a oferecer 1000 km entre recargas.
As baterias sólidas da Geely, consórcio liderado por Li Shufu — sozinho possui 91%, com os restantes 9% na posse dos filhos —, que além do construtor sueco controla igualmente a Polestar, a Lotus, os táxis londrinos, quase 10% da Mercedes-Benz e 50% da Smart, além das marcas chinesas Geely, Zeekr e Lynk&Co, foram concebidas e desenvolvidas internamente pelo grupo. O grupo chinês contou, contudo, com colaborações externas em áreas específicas, como é o caso dos compostos adesivos e estabilizadores da temperatura das células, para o que recorreu à Dow Chemical que, no nosso país, possui a Dow Portugal, especializada em MDI (diisocianato de metileno difenil), o composto essencial para a produção de poliuretano, com várias aplicações na indústria automóvel e construção civil.
De acordo com a Geely, as suas novas baterias — que se destacam sobretudo por trocarem o electrólito líquido por um sólido — garantem uma densidade energética de 500 Wh/kg, o que é sensivelmente o dobro dos melhores acumuladores com química NCM e o triplo das baterias LFP. E as vantagens mais evidentes desta tecnologia consistem numa maior autonomia, com 1000 km entre recargas, usufruindo igualmente de 1.000.000 km de vida útil, com estes dois trunfos a afastarem de uma só vez o drama da autonomia, ou seja, o receio de ficar a meio da viagem ou perder muito tempo para recarregar, bem como a necessidade de trocar de bateria ao fim de 160.000 km, uma vez que a garantia passa a ser seis a sete vezes mais elevada.
As vantagens desta nova tecnologia vão (ainda) mais longe, pois asseguram também uma segurança superior, ao tornar impossíveis fugas de electrólito (por ser sólido e não líquido) em caso de acidente violento, o que afasta a hipótese de um aquecimento incontrolável que provoque incêndios difíceis de apagar. Como se isto não bastasse, as baterias sólidas são igualmente mais leves, mais baratas e capazes de recarregar mais rapidamente e a potências superiores, sem aquecerem em excesso ou se degradarem.
A Geely anuncia que vai começar a equipar algumas marcas e modelos do grupo com as suas baterias sólidas, nomeadamente as mais caras e com imagem de conteúdo tecnológico, como é o caso da Volvo, da Lotus e da Zeekr. A Volvo pode, assim, esperar oferecer em breve modelos com 1000 km de autonomia, o que representa um incremento de 23,4% face aos gigantescos 810 km que hoje o EX60 oferece. E, provavelmente, sem incremento de preço, uma vez que esta nova tecnologia permite construir acumuladores com custos inferiores. Porém, convém realçar que já foram apresentados vários protótipos funcionais de baterias sólidas que ainda não passaram à produção em série devido a dificuldades com a industrialização. Resta esperar que não seja este o caso das baterias sólidas da Geely.