Uma cratera com 460 quilómetros de diâmetro, possíveis vestígios de um antigo lago e uma história que ajudou a alimentar o mito dos marcianos. A Mars Express revela agora Schiaparelli num impressionante voo em 3D.

A mais de 200 milhões de quilómetros da Terra, uma velha sonda europeia continua a revelar novas formas de olhar para Marte. Desta vez, a Mars Express sobrevoa virtualmente a cratera Schiaparelli, numa viagem em 3D que permite apreciar a dimensão e o relevo de uma das maiores marcas de impacto do planeta.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt.

Com cerca de 460 quilómetros de diâmetro, a Schiaparelli é gigantesca. Ainda assim, quando observada de perto, há algo que chama a atenção: parece relativamente pouco profunda para uma cratera deste tamanho. Uma das explicações é que a depressão original tenha sido parcialmente preenchida ao longo de milhares de milhões de anos por materiais transportados pelo vento ou pela água, por lava, ou por uma combinação destes processos.

A região é particularmente interessante porque há indícios de que a água esteve presente no passado de Marte. Os cientistas admitem que a cratera possa ter albergado um lago, numa época em que o planeta tinha condições muito diferentes das atuais.

Veja o vídeo do sobrevoo da cratera

O próprio nome da cratera conta uma história. Foi batizada em homenagem ao astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli, que, durante a grande oposição de Marte de 1877, cartografou o planeta e identificou várias linhas escuras e aparentemente retas na sua superfície. Schiaparelli chamou-lhes “canali“, palavra italiana que significava canais. A tradução e interpretação como “canais” artificiais alimentou uma das ideias mais persistentes da cultura popular: a de que Marte seria habitado por uma civilização inteligente.

Hoje sabemos que essas estruturas eram ilusões resultantes das limitações dos telescópios da época. Mas a associação entre Schiaparelli e os supostos canais marcianos ficou para a história – e chegou também à ficção científica. Na obra “The Martian”, de Andy Weir, é precisamente na cratera Schiaparelli que termina a aventura do astronauta Mark Watney.

As imagens agora divulgadas pela ESA foram construídas a partir de dados da High Resolution Stereo Camera (HRSC) da Mars Express. Várias observações foram combinadas com dados topográficos para criar uma paisagem tridimensional. A animação exagera três vezes o relevo, tornando mais visíveis as variações da superfície.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio