Tem de rumar até à Mealhada para apreciá-la em todo o seu esplendor

É uma área florestal com mais de 100 hectares, com uma biodiversidade rica, cursos de água e boa qualidade do ar. Assim se descreve a primeira “floresta terapêutica” reconhecida na Península Ibérica – e que fica em Portugal.

Falamos da Mata do Bussaco, no município da Mealhada, que recebeu este reconhecimento em julho, vindo do conselho internacional de certificação de florestas terapêuticas, ligado à Sociedade Internacional de Terapia Florestal (ISFT, na sigla original).

Segundo os representantes da Mata do Bussaco, esta floresta, criada pelos Carmelitas Descalços há quatro séculos, possui “uma das melhores” coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos, incluindo “a maior concentração de adermáceas do mundo”.

A floresta possui ainda exemplares de sequoias, pinheiros, carvalhos e eucaliptos. Já a sua fauna compreende mais de 150 espécies de vertebrados, como chapins-azuis, pica-paus, aves de rapina, raposas, salamandras e tritões.

Como pode ser terapêutica?

O conselho internacional explica que esta certificação reconhece áreas florestais capazes de “contribuir positivamente para o tratamento de doenças e mitigar o grau de incapacidade delas resultante”.

Segundo o presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques, em declarações à EFE, os estudos demonstraram que esta floresta tem efeitos benéficos no combate ao stress e na promoção do relaxamento, entre outros fatores.

Para obter a certificação, “a floresta foi alvo de uma rigorosa auditoria científica realizada por este conselho internacional, na qual foram validadas a qualidade do ar, a densidade vegetal, a acústica e a existência de infraestruturas adequadas e de acessibilidade para as práticas de saúde”, afirmou.

Para guiar os visitantes nesta experiência, a Fundação mapeou um trilho de quase dois quilómetros que pode ser percorrido acompanhado por um guia certificado, seguindo as diretrizes da organização internacional.

“É um percurso cuidadosamente planeado, ou seja, não tem subidas íngremes e tem também locais para descansar e relaxar”, explicou Breda Marques, acrescentando que o guia ajuda os visitantes a cultivar uma “sensibilidade” à natureza.

Visitar o trilho oferece a oportunidade de relaxar, “abrandar” e “apreciar o que é mais importante” – uma experiência que, segundo Marques, rompe com a rotina diária das pessoas que vivem “num mundo muito acelerado”.

Reconhecimento é uma “grande responsabilidade”

A Mata do Bussaco não é apenas a primeira “floresta terapêutica” da península ibérica, mas também a quarta reconhecida pelo Conselho Internacional de Florestas Terapêuticas (ICTF) no mundo. As outras três ficam na Alemanha e na Áustria, observou Breda Marques, que afirmou que fazer parte deste “grupo exclusivo” acarreta uma “grande responsabilidade”.

“A Mata do Bussaco não é apenas a primeira ‘floresta terapêutica’ da península, mas também a quarta reconhecida no mundo pelo ISFT. As outras três estão na Alemanha e na Áustria.” “É um grande orgulho saber que estamos posicionados desta forma, mas também implica uma grande responsabilidade no cuidado que teremos de ter com a floresta para manter o seu carácter intocado e evitar a sobrelotação”, explicou.

Embora não veja este como sendo um problema atualmente, nestas primeiras semanas de agosto a Mata do Bussaco já recebeu um número maior de visitantes em comparação com meses de agosto anteriores, algo que é atribuído ao reconhecimento com esta designação – e uma nova tendência que acreditam ser sustentável.