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Porque uma garrafa de vinho sem álcool custa tanto ou mais do que com álcool? Processo de produção responde.
O mercado de bebidas sem álcool está a crescer rapidamente, impulsionado sobretudo por consumidores mais jovens que querem reduzir ou eliminar o consumo de álcool sem abdicar dos rituais e da dimensão social associados às bebidas tradicionais.
Nos Estados Unidos, as vendas de cerveja, vinho e bebidas espirituosas sem álcool têm aumentado mais de 20% ao ano, e as previsões apontam para um crescimento do mercado superior a quatro mil milhões de dólares até 2028.
A tendência representa uma oportunidade num momento difícil para a indústria do vinho, que atravessa uma das maiores quebras de consumo das últimas décadas.
Perante esta realidade, produtores, pequenos comerciantes e especialistas em ciência alimentar estão a apostar no vinho sem álcool como uma possível alternativa.
Algumas empresas investem em tecnologia para produzir bebidas que procuram reproduzir as características do vinho convencional, enquanto outras estão a criar espaços dedicados exclusivamente a produtos sem álcool, transformando-os também em locais de convívio.
Apesar da crescente procura, há uma questão que continua a surpreender os consumidores: porque é que uma garrafa de vinho sem álcool pode custar tanto ou até mais do que uma garrafa de vinho com álcool?
A resposta está, em grande medida, no próprio processo de produção, resume a revista Vox.
Retirar o álcool de um vinho já produzido exige tecnologia especializada e processos complexos, o que aumenta os custos. Ao contrário do que poderia parecer, eliminar um dos componentes da bebida não significa necessariamente tornar a produção mais barata. Pelo contrário, a transformação de um vinho convencional num produto sem álcool pode exigir equipamentos e conhecimentos técnicos específicos para preservar, tanto quanto possível, os aromas e sabores originais.
A estes custos junta-se outro factor: o vinho sem álcool deixou de ser encarado apenas como uma alternativa para quem não pode ou não quer consumir álcool. Está a transformar-se num segmento associado a um novo estilo de vida, centrado no bem-estar, na moderação e na socialização sem álcool. Essa mudança de percepção permite às marcas posicionar alguns produtos no segmento premium.
O vinho sem álcool poderá ser mais do que uma moda passageira.