Um ovo fossilizado encontrado na Antártida está ajudando cientistas a reconstruir os hábitos reprodutivos de grandes répteis marinhos que viveram há cerca de 68 milhões de anos. Com aproximadamente 29 centímetros de comprimento por 20 centímetros de largura, o fóssil é o segundo maior ovo já descoberto, atrás apenas dos ovos da extinta ave-elefante, e é considerado o maior ovo de casca mole conhecido pela ciência.

O fóssil foi encontrado em sedimentos que correspondem ao fim do período Cretáceo, quando a região da atual Antártida apresentava condições muito diferentes das atuais. A estrutura do ovo chama atenção porque se aproxima mais daquela observada em cobras e lagartos do que das cascas rígidas produzidas pelos dinossauros.

Ovo de dinossauro?

Como nenhum esqueleto foi encontrado associado ao fóssil, não é possível determinar com certeza qual animal colocou o ovo. O paleontólogo Lucas Legendre, da Universidade do Texas em Austin, considera, porém, que o tamanho e as características da estrutura são compatíveis com os mosassauros, grandes répteis marinhos aparentados aos atuais lagartos e serpentes.

Os pesquisadores deram ao ovo o nome científico Antarcticoolithus bradyi, criado especificamente para classificar o fóssil sem atribuí-lo a uma espécie animal desconhecida.

A descoberta também pode reforçar uma hipótese antiga sobre os mosassauros: a possibilidade de que fossem vivíparos, ou seja, capazes de dar à luz filhotes vivos. A existência de um ovo extremamente grande e de casca fina sugere, entretanto, que a reprodução desses animais poderia ter sido mais complexa do que se imaginava.

Uma possível explicação está no formato corporal dos mosassauros. Como eram animais alongados e adaptados à vida aquática, poderiam ter produzido ovos relativamente grandes em ninhadas menores, uma estratégia observada em alguns répteis marinhos atuais.

Outro aspecto importante está na preservação do fóssil. Análises de minerais como apatita e pirita indicaram pouca oxidação durante o processo de fossilização. Os dados sugerem que o ovo permaneceu enterrado em condições pobres em oxigênio, possivelmente sob o fundo marinho, o que teria impedido sua decomposição completa.

O achado, portanto, não representa apenas um recorde de tamanho. Ele também oferece pistas sobre a reprodução, o comportamento e o ambiente de antigos répteis que dominaram os mares do Cretáceo.


Felipe Sales Gomes

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.