Ana Catarina Alves dos Reis deixou Matosinhos e partiu para a Suíça. Tinha 32 anos e, como tantos outros portugueses que procuram melhores oportunidades fora do país, começou ali uma nova etapa da sua vida. Encontrou trabalho, arranjou um lugar para viver e foi construindo, longe de casa, uma rotina que acabou abruptamente da forma mais trágica.
Natural de Matosinhos, Ana Catarina vivia em Thusis, no cantão dos Grisões, desde 2023. Trabalhava como empregada de limpeza e estava alojada num quarto do edifício onde funcionava o restaurante português Beverin.
Era uma vida simples, mas que representava uma mudança importante para quem tinha decidido deixar Portugal para trás. Até à madrugada de 21 de agosto, quando um incêndio de grandes dimensões destruiu o prédio.
As chamas começaram nos pisos superiores e rapidamente tomaram conta do edifício. O fogo atingiu também o restaurante português que funcionava no local, deixando um cenário de destruição e dificultando o trabalho das equipas de socorro. Oito pessoas ficaram feridas e várias foram inicialmente dadas como desaparecidas.
A família de Ana Catarina só percebeu que alguma coisa estava errada horas depois. Na noite anterior, ainda tinha falado com a mãe por telefone, por volta das 21h30. Depois disso, o silêncio. O telemóvel deixou de dar sinais e ninguém voltou a conseguir falar com ela.
Começaram então horas de angústia. Enquanto bombeiros e equipas de emergência procuravam sobreviventes entre os escombros, familiares e amigos tentavam obter respostas. Ana Catarina estava entre as pessoas que continuavam desaparecidas.
No passado sábado, 22, as autoridades suíças anunciaram ter encontrado dois corpos no interior do edifício, mas a identidade das vítimas ainda não tinha sido oficialmente confirmada. A família e os amigos de Ana Catarina, porém, já temiam o pior. A confirmação acabaria por chegar através da família, que comunicou a morte da jovem. As autoridades aguardavam ainda os resultados das perícias forenses para a confirmação oficial da identidade.
A tragédia deixou em choque a comunidade portuguesa na Suíça e, em particular, aqueles que conheciam Ana Catarina. Também por cá, a família da jovem mulher vive o pior dos pesadelos.
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