Doze pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade, na sequência de um atropelamento na Oura, esta terça-feira, numa zona de bares em Albufeira. A GNR confirmou a detenção do condutor, um homem de 35 anos, na suspeita de crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa.

Os factos remontam às 3h, na Rua Francisco Sá Carneiro. Um conjunto de militares da GNR abordou o condutor que seguia naquela zona que não obedeceu à ordem de paragem e inverteu a marcha. “Momentos depois, ao ser novamente intimado a parar por militares, o suspeito voltou a ignorar a ordem e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas”, lê-se na descrição da Guarda, num comunicado enviado às redações.

O homem de 35 anos embateu noutro carro enquanto tentava fugir das autoridades, mas acabou por ser intercetado e detido quando tentou colocar-se em fuga apeada. “Submetido ao teste de despistagem de alcoolemia, o suspeito acusou uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 1,29 g/l, tendo sido igualmente sujeito à realização de exames toxicológicos”, continuam.

Os vários feridos, entre os quais estavam dois militares da GNR, foram transportados para os hospitais de Portimão e Faro, e ainda para o Centro de Saúde de Albufeira, no distrito de Faro, indicou à Lusa fonte do Comando Sub-Regional do Algarve. No local estiveram 58 operacionais, com o apoio de 13 veículos.

Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, assegura que não houve qualquer falha de segurança (“nem pensar“) e que se tratou de um “desrespeito total pelas regras” por parte de “alguém que estava altamente alcoolizado”. Além disso, o autarca acrescenta que o condutor, que já foi detido e vai ser presente a um juiz esta terça-feira, não tinha carta. É um “ato isolado”, garante, acrescentando que o suspeito é “português de origem angolana”.

“Quando alguém contorna baias, é intercetado por uma patrulha e continua a fazer o que quer e o que lhe apetece, é complicado”, desabafa em declarações ao Observador, frisando que “ultrapassou as barreiras físicas e desrespeitou a autoridade”.

O autarca confirma que há uma jovem portuguesa, de 21 anos, em estado grave. Segundo a GNR, esta é a única vítima internada. Rui Cristina explica ainda que “houve tiros de aviso, o que minimizou o número de vítimas”, enquanto a GNR confirma os disparos para avisar quem estava no local e travar o condutor, sem sucesso.

Rui Cristina realça que a autarquia tem vindo “a melhorar a segurança da vida noturna de Albufeira, de quem cá vive e quem vivia” e destaca a “diminuição dos decibéis” e “os estabelecimentos que fechavam às 4h começaram a fechar às 3h”.

Atropelamento Albufeira. Rui Cristina: “Não foi falha de segurança”

Em conferência de imprensa em Albufeira, Rui Cristina recorda que estavam “os meios todos” na Rua da Oura, desde a GNR à polícia de intervenção, e que “de nada serviu“, mas garante que a autarquia vai “reavaliar a situação” e perceber o que pode ser feito para que “este tipo de ato isolado não volte a acontecer”.

O autarca assume a possibilidade de colocar “outro tipo de baias”, porém lembra que a colocação de betão, por exemplo, não permitiria assistências em emergência. “Muito dificilmente se poderá ir mais além, temos um reforço policial como nunca tivemos em ano nenhum, temos as baias que fazem barreira e tivemos esta situação”, reitera.

Sobre mudanças na Rua da Oura, Rui Cristina considera que já há “uma grande diferença” relativamente há um ano, quando “não se podia conversar na rua”. “É um caminho que está a ser trilhado”, realça.

Também em conferência de imprensa, o major Pedro Pereira, da GNR, revelou que o condutor não é residente em Albufeira, está de férias na região e era o único ocupante da viatura. Quando foi finalmente travado pelas autoridades, “pediu desculpa, não fez mais do que isso“.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, “condena e lamenta profundamente” a “grave ocorrência registada esta madrugada em Albufeira, na qual uma viatura atingiu dois militares da GNR e um grupo de jovens numa zona de diversão noturna muito frequentada por portugueses e estrangeiros”.

O Governo confirma que dez jovens, com idades entre os 18 e os 22 anos, ficaram feridos, um dos quais em estado grave, bem como dois militares.

“O ministro manifesta a sua profunda solidariedade para com os militares da GNR e com todos os jovens atingidos e as respetivas famílias, acompanha com preocupação a evolução do seu estado de saúde e deseja a todos uma rápida e plena recuperação”, pode ler-se no comunicado.

O ministro da Administração Interna reconheceu “a pronta intervenção dos militares da GNR presentes no local” e refere que “as circunstâncias do sucedido serão integralmente apuradas pelas autoridades competentes”.