Os países da coligação reafirmaram igualmente disponibilidade para contribuir para uma força multinacional a ser mobilizada em solo ucraniano assim que um acordo de paz for alcançado com Moscovo, para dissuadir a Rússia de novas agressões militares.

A reunião foi realizada no dia em que a Ucrânia assinala o 35.º aniversário da sua independência e separação do antigo bloco soviético, numa fase em que a Rússia tem vindo a intensificar os seus ataques aéreos, explorando a escassez de recursos antiaéreos de Kiev. Em julho, a Rússia lançou um número recorde de mísseis balísticos, em concreto contra Kiev.

No final do encontro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que os representantes de cerca de 30 países se comprometeram com o envio de novos pacotes de defesa aérea e apoio ao sistema energético, bem como financiamento adicional para a produção de drones.

Segundo o líder ucraniano, Kiev precisa de pelo menos 300 mísseis intercetores para os sistemas norte-americanos Patriot, para se defender com eficácia no próximo inverno.

A defesa aérea continua a ser “a prioridade”, insistiu Zelensky a propósito da reunião desta segunda-feira, após ter pedido aos seus aliados que fornecessem “tudo o que a Ucrânia precisa para travar esta guerra” antes que o Presidente russo, Vladimir Putin, tenha tempo “de começar outra”.

Como resposta a este apelo, o primeiro-ministro britânico anunciou que a empresa de defesa MBDA vai partilhar os elementos necessários para que Kiev possa fabricar os seus próprios mísseis de longo alcance Storm Shadow, sistemas que Londres já fornece às forças ucranianas, instando a França a juntar-se a esta iniciativa.

Os sistemas Storm Shadow são mísseis de cruzeiro, produto da cooperação entre as indústrias de defesa britânica e francesa, e conhecidos como SCALP em França.

Num discurso proferido ao lado de Zelensky, Andy Burnham insurgiu-se contra as “ameaças ultrajantes” de Moscovo contra o seu país e defendeu que a Ucrânia é “a linha da frente que protege a Europa”, comparando a resistência à Rússia à luta contra a Alemanha nazi.

O anúncio do fornecimento de tecnologia dos Storm Shadow provocou indignação no Kremlin (presidência russa), que acusou Londres de obstruir a paz e avisou que os militares russos vão identificar os locais de produção destes mísseis e destruí-los.

Durante a reunião, o Presidente francês advertiu, pelo seu lado, que “a Rússia tentará aumentar as tensões contra os países europeus para os dissuadir de ajudar a Ucrânia”, prevendo um aumento de provocações.

“É claro que os países da NATO serão alvos e que as provocações se multiplicarão”, disse Emmanuel Macron, exortando os seus parceiros a “manterem a calma e a seguirem com a vida normalmente”, depois de Paris ter anunciado no sábado o envio de mais intercetores para o exército ucraniano.

Entre os últimos anúncios de apoio a Kiev, a União Europeia vai libertar uma nova parcela de 6,1 mil milhões de euros de ajuda para reforçar defesas aéreas e fornecimento de mísseis e outras munições.