Wall Street começou a semana com quebras, principalmente nos fabricantes de chips. Os recuos no setor sobrepuseram-se ao alívio trazido pela descida do preço do petróleo (com o West Texas Intermediate, de referência nos EUA, a cair mais de 2% paramenos de 85 dólares por barril), numa sessão em que os investidores também analisaram o plano do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, para isolar o Irão da economia global.
A poucos dias da divulgação dos resultados da Nvidia, marcada para quarta-feira, os gigantes dos semicondutores afundaram-se. Apesar de ser expectável que os resultados da gigante reforcem a sua liderança no setor, alguns dos seus grandes clientes foram notificados de subidas de preços superiores a 15% relacionadas com inteligência artificial, uma notícia que fez a Nvidia cair 2,91% na sessão desta segunda-feira.
Neste contexto, o S&P 500 caiu 0,28% para 7.652,86 pontos, o Nasdaq Composite recuou 0,76% para 25.980,19 pontos e o Dow Jones subiu 0,26%, para 53.417,16 pontos. Destaque ainda para o Nasdaq 100 – que reúne as 100 maiores empresas não financeiras da bolsa Nasdaq -, que caiu 0,97% para 29.023,18 pontos.
Em termos empresariais, para além da Nvidia, outros fabricantes de chips protagonizaram fortes quedas, como a Micron (-5,83%), a SanDisk (-6,45%), a Intel (-3,12%) e a Super Micro Computer (-5,56%).
O chefe do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ameaçou com punições económicas qualquer país que faça negócios com o Irão, no âmbito daquilo a que chamou um “Dia D económico” para isolar o país e pôr fim a quase seis meses de guerra.
Depois de ter surpreendido recentemente o mercado com um plano para reforçar as recompras de dívida de prazo mais longo, Bessent absteve-se também de dar novos sinais sobre uma reformulação da gestão da dívida norte-americana, depois de ter sido noticiado que o seu departamento poderia recorrer à reserva de caixa dos EUA para financiar recompras de obrigações mais longos e com “yields” mais elevadas.
“Os detalhes sobre as sanções económicas dos EUA ao Irão, as tentativas do Tesouro de reduzir as ‘yields’ de longo prazo e os dados económicos poderão condicionar grande parte do sentimento dos mercados”, disse Chris Larkin, da E*Trade, propriedade da Morgan Stanley, citado pela Bloomberg. “Mas a Nvidia e os resultados de outras tecnológicas surgem como um peso importante sobre o ímpeto do mercado”, acrescentou.
Os detalhes sobre as sanções económicas dos EUA ao Irão, as tentativas do Tesouro de reduzir as ‘yields’ de longo prazo e os dados económicos poderão condicionar grande parte do sentimento dos mercados
Chris Larkin, analista da E*Trade
Os investidores aguardam ainda que o presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, clarifique, na sexta-feira, no simpósio de Jackson Hole da Reserva Federal, a sua visão sobre a forma como o banco central deve reagir à inflação persistente. Será a primeira vez, como líder da Fed, que Warsh profere o discurso principal no simpósio anual de política económica organizado pela Fed de Kansas City.
Com as “yields” do Tesouro ainda elevadas devido à inflação persistente e às preocupações com o défice fiscal, Warsh está sob pressão para dar orientações mais claras sobre a atuação da Fed no resto do ano. Dados mais recentes mostram que a inflação, apesar de continuar acima da meta de 2% do banco central, poderá estar a começar a arrefecer. Na quarta-feira, o Governo dos Estados Unidos divulgará o índice de preços de despesas de consumo pessoal, o indicador de inflação preferido da Fed.